Na sua «História
Eclesiástica», Eusébio de Cesareia afirma o seguinte:
Livro III
II
[Quem foi o primeiro que
presidiu a Igreja de Roma]
1. Depois do martírio de
Paulo e de Pedro, o primeiro a ser eleito para o episcopado da Igreja de Roma
foi Lino. Ele é mencionado por Paulo quando escreve de Roma a Timóteo, na
despedida ao final da carta (2 Tm 4:21)."
Note-se que Eusébio de
Cesareia nunca menciona Pedro como tendo sido alguma vez Bispo de Roma.
Isto porque Eusébio seguia
uma lista dos doze primeiros bispos de Roma, dada por Ireneu de Lyon no século
II, em que o primeiro bispo de Roma mencionado era Lino.
Eusébio cita então a lista
de Ireneu, onde o bispo de Lyon classifica Lino como o primeiro bispo de Roma:
Livro V
VI
[Lista dos bispos de Roma]
1. "Os
bem-aventurados apóstolos, depois de haverem fundado e edificado a Igreja,
puseram o ministério do episcopado em mãos de Lino. Este Lino é mencionado por
Paulo em sua carta a Timóteo ..."
As Constituições
Apostólicas, um documento cristão do século IV, também indicam que Lino, tendo sido ordenado por Paulo, foi o
primeiro bispo de Roma, sendo o seu sucessor Clemente, que foi ordenado por
Pedro (cfr. Constituições Apostólicas 7.4).
Anacleto é considerado o
sucessor de Lino por Ireneu.
A BÍBLIA E A HISTÓRIA
FORNECEM EVIDÊNCIA DEFINITIVA DA NATUREZA VÁCUA E ESPÚRIA DAS PRETENSÕES
ROMANISTAS
«As listas mais antigas de
papas começam, não com Pedro, mas com um homem chamado Lino. A razão pela qual
o nome de Pedro não foi listado foi porque ele era um apóstolo, que era uma super-categoria,
muito superior a papa ou bispo... A comunidade cristã em Roma, bem dentro do século II operava como uma coleção de comunidades separadas sem qualquer
estrutura central... Roma era uma constelação de igrejas domésticas,
independentes umas das outras, cada uma das quais era livremente governada por
um ancião. As comunidades, portanto, basicamente seguiam o padrão das sinagogas judaicas das quais se desenvolveram.» (John O'Malley, A History of the Popes, Sheed & Ward, 2009, p. 11)
«É certo que a posição
católica, que os bispos são os sucessores dos apóstolos por instituição divina,
está longe de ser fácil de estabelecer... O primeiro problema tem a ver com a
noção de que Cristo ordenou apóstolos como bispos... Os apóstolos eram
missionários e fundadores de igrejas; não há nenhuma evidência, nem é de todo
provável, de que qualquer um deles alguma vez tenha fixado residência permanente
numa igreja em particular como seu bispo... A carta dos Romanos aos Coríntios,
conhecida como 1 Clemente, que data de cerca do ano 96, fornece boas evidências
de que cerca de 30 anos após a morte de São Paulo a igreja de Corinto era liderada por um grupo de presbíteros, sem indicação de um bispo com
autoridade sobre toda a igreja local... A maioria dos académicos são da opinião
de que a igreja de Roma, muito provavelmente também era liderada nesse tempo
por um grupo de presbíteros... Existe um amplo consenso entre os académicos,
incluindo muitos católicos, que igrejas como Alexandria, Filipos, Corinto e
Roma, muito provavelmente, continuaram a ser lideradas durante algum tempo por um
colégio de presbíteros, e que só no século II a estrutura tríplice
tornou-se a regra geral, com um bispo, assistido por presbíteros, presidindo a
cada igreja local.» (Sullivan F.A. From Apostles to Bishops: the development of
the episcopacy in the early church. Newman Press, Mahwah (NJ), 2001, pp.
13,14,15).
«No passado, escritores católicos interpretaram esta intervenção como um exercício inicial da primazia romana, mas agora é, em geral, reconhecida como o tipo de exortação que uma igreja podia endereçar a outra, sem qualquer pretensão de autoridade sobre ela ... 1 Clemente seguramente não apoia a teoria de que, antes de os apóstolos morrerem, eles designaram um homem como bispo em cada uma das igrejas que fundaram. Esta carta testemunha, sim, o facto de que, na última década do século I, o ministério colegial de um grupo de presbíteros ... era ainda mantido na igreja paulina de Corinto. Este era muito provavelmente também o caso na igreja em Roma neste período» (Sullivan F.A. From Apostles to Bishops: the development of the episcopacy in the early church. Newman Press, Mahwah (NJ), 2001, pp. 91,101).
«De acordo com Ireneu,
Pedro e Paulo, não somente Pedro, nomearam Lino como o primeiro na sucessão de
bispos de Roma. Isto sugere que Ireneu não pensava em Pedro e Paulo como
bispos, ou em Lino e aqueles que se seguiram como sucessores de Pedro mais do
que de Paulo.» (Sullivan F.A. From
Apostles to Bishops: the development of the episcopacy in the early church.
Newman Press, Mahwah (NJ), 2001, p. 148).
«Devemos concluir que o
Novo Testamento não fornece nenhuma base para a noção de que antes dos
apóstolos morrerem, eles ordenaram um homem para cada uma das igrejas que fundaram... "Havia um Bispo de Roma no século I?"... A
evidência disponível indica que a igreja em Roma era liderada por um colégio de
presbíteros, e não por um único bispo, por pelo menos várias décadas do século
II.» (Sullivan F.A. From Apostles to Bishops: the development of the episcopacy
in the early church. Newman Press, Mahwah (NJ), 2001, p. 80,221-222).
«Fontes primitivas,
incluindo Eusébio, afirmam que Lino ocupou o cargo por cerca de 12 anos,
mas elas não são claras sobre as datas precisas ou o seu exato papel pastoral e
autoridade. Deve lembrar-se de que, ao contrário da piedosa crença católica, a
estrutura episcopal monárquica de governo da igreja (também conhecida como episcopado monárquico, em que cada diocese era liderada por um único bispo)
ainda não existia em Roma neste tempo.» (McBrien, Richard P. Lives of the Popes:
The Pontiffs from St. Peter to Benedict XVI. Harper, San Francisco, 2005 updated ed., p. 34).
«Para começar, na verdade,
não havia 'papa', nem bispo como tal, pois a igreja em Roma foi lenta a
desenvolver o cargo de presbítero ou bispo chefe... Clemente não fez nenhuma
reivindicação de escrever como bispo... Não há nenhuma maneira de definir uma
data em que o cargo de bispo-dirigente surgiu em Roma... mas o processo estava seguramente completo pelo tempo de Aniceto, por volta do ano 150.» (Duffy, Eamon.
Saints & Sinners: A History
of the Popes, 2nd ed. Yale University Press, London, 2001, pp. 9, 10,13).
«O fracionamento em Roma
favoreceu um sistema de governo presbiteral colegial e impediu durante muito
tempo, até à segunda metade do século II, o desenvolvimento de um episcopado
monárquico na cidade. Vítor (c. 189-99) foi o primeiro que, após tímidas tentativas
de Eleutério (c. 175-89), Sotero (c.
166-75) e Aniceto (c. 155-66), avançou energicamente como bispo monárquico e
(por vezes, apenas porque era incitado do exterior) tentou colocar os
diferentes grupos da cidade sob a sua supervisão ou, quando tal não era possível,
estabelecer barreiras através da excomunhão. Antes da segunda metade do século
II, não havia em Roma nenhum episcopado monárquico nos círculos mutuamente
unidos em comunhão.» Peter
Lampe, From Paul to Valentinus:
Christians at Rome in the First Two Centuries, trans. Michael
Steinhauser (Minneapolis: Fortress Press, 2003) p. 397.