Durante uma palestra em Singapura, Francisco abordou a questão do diálogo inter-religioso entre católicos romanos e vários outros grupos religiosos cristãos e não cristãos. Disse então o seguinte:
«Todas as religiões são caminhos para chegar a Deus. Elas são — para fazer uma comparação — como línguas diferentes, dialetos diferentes, para chegar a ele. Mas Deus é Deus para todos. Se você começar a lutar dizendo "minha religião é mais importante que a sua, a minha é verdadeira e a sua não", aonde isso nos levará? Só existe um Deus, e cada um de nós tem uma língua para chegar a Deus. Uns são siques, outros muçulmanos, outros hindus, outros cristãos; são caminhos diferentes para Deus.»
Ora, se se chega a Deus pela lei moral (boas obras) ou pela prática ritual das várias religiões existentes no mundo, então a salvação não é mais pela graça de Deus, mas pela prática de uma das várias religiões, pelas obras piedosas que os homens praticam. Esforçando-nos para ser bons religiosos, segundo a religião da nossa preferência, podemos ser justos diante de Deus pelos nossos méritos, merecer estar em comunhão com Deus. Deus não nos dá nada que não mereçamos, nada de graça. A obrigação de Deus é estar em comunhão com nós, que somos bons e piedosos. O evangelho da graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo é assim aniquilado.
Igualmente, Cristo sacrificou-se inutilmente na cruz, não precisamos da aplicação da justiça de Cristo em nós, do seu sacrifício expiatório. A nossa religião e as nossas obras nos justificam. Chegamos a Deus por elas. Nada por que ser condenados. O sacrifício de Cristo foi pois desnecessário ou como diz Paulo "se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde” (Gl 2.21).
Mas ao contrário do papa, Jesus ensinou: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim." (João 14:6)
Alguém que pregue o Evangelho ao papa!
P.S. A razão porque devemos ser tolerantes e respeitar a liberdade religiosa dos crentes de outras religiões, não é por considerarmos que as religiões são todas iguais, que todas adoram o mesmo Deus e que nenhuma é mais verdadeira do que outra, mas precisamente por considerarmos que nem todas as religiões são iguais, que nem todas adoram o mesmo Deus e que há a religião verdadeira e a religião falsa, é que é preciso tolerar e respeitar a liberdade dos crentes das diferentes religiões com as quais discordamos.
Quem acredita que as religiões são todas boas e que adoram o mesmo Deus não precisa de ser educado na tolerância nem no respeito pela liberdade dos crentes de outras religiões.
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