27 de fevereiro de 2025
A BÍBLIA DE JESUS
14 de fevereiro de 2025
SOBRE APARIÇÕES MARIANAS (OU OUTROS SERES DO ALÉM)
Os sinais, os milagres e as maravilhas não devem ser aceites de forma cega: têm de ser submetidos ao nosso rigoroso julgamento. É precisamente aqui que se impõe a prática do discernimento dos espíritos.
Se te aparecer um ser sobrenatural a alegar ser a Virgem Maria, apresentando-se, porventura, «mais católica romana do que o Papa», que afirma dogmas católicos que sabes serem manifestamente falsos e ordena a prática de atos irracionais ou imorais, esses factos funcionam como derrotantes imediatos dessa aparição. Em tais circunstâncias, por mais impressionante que seja a manifestação, não deves dar qualquer crédito a esse ser vindo do além, seja qual for a forma que assuma.
Como adverte a própria Escritura:
«E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz» (2 Coríntios 11:14).
Fenómenos visuais, milagres ou sinais impressionantes nunca se sobrepõem à verdade revelada nem à razão moral. A experiência subjetiva do «extraordinário» deve ser sempre julgada pela verdade objetiva.
Se o conteúdo do ensinamento falha no teste da verdade, da racionalidade e da moralidade, a origem da aparição fica automaticamente desqualificada, revelando-se como uma contrafação espiritual.
9 de fevereiro de 2025
DEFENDAMOS BASÍLIO MAGNO DOS ICONÓDULOS
“Confesso a aparência do Filho de Deus na carne, e a santa Maria como a mãe de Deus, que deu à luz segundo a carne. E eu recebo também os santos apóstolos e profetas e mártires. Suas semelhanças eu reverencio e beijo com homenagem, pois elas são transmitidas dos santos apóstolos e não são proibidas, mas, pelo contrário, pintadas em todas as nossas igrejas.” (Basílio Magno, Epístola 360).
Apesar de este texto ter sido citado no Segundo Concílio de Niceia como argumento a favor do culto das imagens, Basílio não o escreveu. O consenso entre os estudiosos da área é que se trata de um texto espúrio — uma falsificação de autoria iconófila.
Isso não impede que, ainda hoje, o excerto seja apresentado como autêntico em algumas fontes católicas ou ortodoxas menos rigorosas.
A linguagem da Epístola 360, aparentemente endereçada a ninguém em particular, revela uma origem muito posterior ao tempo de Basílio, própria da época da controvérsia iconoclasta. Sabemos, por outras evidências da Igr
Além disso, se a iconografia tivesse sido realmente "transmitida" desde o início e fosse onipresente — como a epístola afirma —, por que razão Basílio declararia o óbvio? Ou seja: por que razão um autor cristão escreveria a outro sobre uma prática supostamente antiga e difundida, afirmando que ela "não era proibida", se todos sabiam que não o era? Quando é que defendemos práticas cristãs antigas e difundidas, como o canto no culto? A Epístola 360 acumula fortes evidências de anacronismo e é tão amplamente questionada que sequer figura na maioria das edições das cartas de Basílio.
«Esta carta é quase de certeza espúria, mas tem um certo interesse pelo facto de ter sido citada no chamado 7.º Concílio (2.º de Niceia) em 787. Maran (Vit. Bas. xxxix.) é da opinião de que a evidência interna prova tratar-se da obra de um autor grego do tempo da controvérsia iconoclasta. O vocabulário e o estilo não são os de Basílio.»
(Nota de rodapé 3289 relativa à Carta CCCLX). NPNF2, Vol. 8 St. Basil: Letters and Selected Works, p. 316
The Acts of the Second Council of Nicaea (787), ed. Richard Price, Liverpool University Press 2018, p. 314.
Outro texto presente nas atas do Segundo Concílio de Niceia (4.ª sessão) é o comentário de Basílio Magno na sua obra Sobre o Espírito Santo, onde afirma que «a honra prestada à imagem passa para o arquétipo» (18.45.19-20). O concílio utilizou esta citação para fundamentar a defesa da veneração de imagens, mas o contexto original do comentário era outro. Como assinala Richard Price: «O contexto era a totalidade do culto devido a Cristo como imagem natural do Pai, mas, retirada do seu contexto imediato, esta afirmação podia ser aplicada ao papel das imagens artísticas ou miméticas, com a mensagem de que uma imagem deve receber exatamente o mesmo grau de honra que o seu arquétipo.» (p. 45).
«A alegação iconoclasta de que a reverência pelas imagens não remontava à "era de ouro" dos Padres — e muito menos aos apóstolos — seria hoje julgada por historiadores imparciais como simplesmente correta.
The Acts of the Second Council of Nicaea (787), ed. Richard Price, Liverpool University Press 2018, p. 43.

