Na cristologia tradicional, a Encarnação sobrevive à morte de Cristo. Isto acontece porque a cristologia tradicional possui uma antropologia dualista. A Encarnação envolve a união do Filho Eterno com um corpo e uma alma humanos. Para citar uma formulação clássica: "criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais" (WCF 4.2).
Assim, mesmo na morte, a união hipostática permanece intacta, na medida em que o Filho permanece unido a uma alma humana.
Contudo, se o aniquilacionismo for verdadeiro, então a morte de Cristo dissolve a união hipostática. Não que o Filho tenha deixado de existir, mas o Jesus homem deixou de existir no momento da morte.
O aniquilacionismo está logicamente baseado no fisicalismo. A consciência ou a personalidade não podem sobreviver à morte cerebral, pois a mente é gerada pelo cérebro. Inversamente, a imortalidade está indexada à ressurreição do corpo. Não existe um estado intermediário.
Isto exige que a Ressurreição não seja meramente a restauração de um corpo, mas uma reencarnação. A Encarnação ocorre duas vezes: na concepção e, novamente, no primeiro Domingo de Páscoa.
Se isso é ortodoxo ou não, é uma questão interessante. É surpreendentemente semelhante ao Budismo, com a sua versão de reencarnação sem alma (anatta).
