E dizia: «O Reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra. Dorme e levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e cresce, sem que ele saiba como. A terra produz por si mesma: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, o grão cheio na espiga. E, quando o fruto está maduro, mete-se-lhe logo a foice, porque chegou a ceifa.» (Marcos 4:26-29)
Antes de a sua reputação ficar manchada pelo escândalo dos abusos clericais, a Igreja Católica dominava o cenário mundial. Ela costumava ser um ator de relevo na geopolítica — e nisso residia grande parte do seu apelo para muitos. Se Jesus fundou uma igreja universal, certamente é assim que ela se deve parecer: grande, conspícua, disseminada. Comparadas com isso, as denominações protestantes parecem provincianas e fragmentadas.
Isto encaixa na alegação dos apologistas católicos de que Jesus fundou uma igreja visível (ou seja, uma organização hierárquica unificada), que conta com um chefe visível: o Papa.
Mas compare-se tudo isto com a parábola do Reino de Deus sobre a semente que cresce à noite. Nesse sentido, o Reino de Deus é invisível. Cresce à noite enquanto o agricultor dorme; cresce à noite enquanto o mundo dorme. Nos Evangelhos Sinópticos, a Igreja e o Reino de Deus são categorias intimamente relacionadas.
Nesse sentido, a Igreja representa uma revolução silenciosa. Cresce e espalha-se sob o manto da escuridão, apanhando o mundo de surpresa. A Igreja escapa à atenção do mundo até que, de repente, se torna evidente, criando raízes e espalhando-se onde o mundo menos suspeita. Considere-se a igreja clandestina na China. Considere-se o avivamento cristão no coração do mundo muçulmano, impulsionado por sonhos e visões de Jesus. Considere-se como o movimento pentecostal varreu a América Latina.
Por tudo isto, a visibilidade mundial da Igreja Católica Romana é a antítese do Reino de Deus. O progresso do Reino é inesperado e imprevisível; acontece em lugares para onde ninguém está a olhar. A verdadeira universalidade da Igreja não se encontra nos sinais de néon do catolicismo romano, mas em lugares surpreendentes: em esquinas e cantos escondidos que o mundo despreza, até ser tarde demais para os ignorar.

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