2 de julho de 2012

QUEM FUNDOU A SUA IGREJA?


Um dos recursos favoritos dos apologistas romanos é fazer a seguinte pergunta: «Quem fundou a sua Igreja?».
Em seguida, apresentam uma lista de Igrejas X, fundadas no ano Y, pelo fundador Z, para concluir que a Igreja Católica foi a única fundada por Jesus Cristo, na Palestina, no ano 33.
Para apoiar essa tese, invocam textos como Mateus 16:18-19 e Atos 2.
Eis um exemplo de uma dessas listas:
Ano Denominação Origem Fundador
33 Fundação da Igreja Católica Palestina Jesus
55 Igreja Católica se fixa em Roma, com Pedro e Paulo
1054 Igreja Ortodoxa Constantinopla Miguel Cerulário
1521 Igreja Luterana Alemanha Martinho Lutero
1523 Anabatistas Alemanha Zwickau
1523 Batistas Menonitas Holanda Menno Simons
1531 Igreja Anglicana Inglaterra Henrique VIII
1536 Igreja Presbiteriana Suiça João Calvino
1592 Igreja Congregacionalista Inglaterra John Greenwood e outros
1612 Igreja Batista Arminiana ou Geral Inglaterra John Smith
1630 Sociedade dos Amigos (Quakers) Inglaterra George Fox
1641 Igreja Batista Regular ou Particular Inglaterra Richard Blount
1739 Igreja Metodista Inglaterra John Wesley
1816 Igreja Adventista EUA Willian Miller
1830 Mórmons EUA Joseph Smith
1865 Exército da Salvação Inglaterra Willian Booth
1878 Testemunhas de Jeová EUA Charles T.Russel
1901 Igreja Pentecostal EUA Charles Parham
1903 Igreja Presbiteriana Independente Brasil Othoniel C. Mota
1909 Congregação Cristã no Brasil Brasil Luís Francescon
1910 Igreja Assembléia de Deus EUA/Brasil D.Berg/G.Vingren
1918 Igreja do Evangelho Quadrangular EUA Aimée McPherson
1945 Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB) Brasil Carlos D.Costa
1955 Cruzada o Brasil para Cristo Brasil Manoel de Mello
1962 Igreja Deus é Amor Brasil David Miranda
1977 Igreja Universal do Reino de Deus Brasil Edir Macedo

Respondamos a esta estultícia:
Jesus Cristo fundou, sem dúvida, uma única Igreja, mas:
1. Não foi a Igreja de Roma, que hoje usurpa a prerrogativa de ser, em exclusividade, a Igreja de Cristo. 
2. Historicamente, a Igreja de Cristo manifestou-se, de forma concreta, em congregações locais cuja comunhão não dependia de uma hierarquia humana centralizada (o papado), mas sim da fidelidade à doutrina de Cristo e dos Apóstolos, tal como se encontra expressa nas Escrituras. 
3. A figura do Papa monárquico não existia no século I. A própria investigação histórica demonstra que a igreja primitiva em Roma era governada por um colegiado de presbíteros. A lista dos "primeiros papas" foi uma construção posterior que retroprojetou uma estrutura hierárquica tardia sobre a simplicidade do Novo Testamento.
4. A Igreja de Roma nunca teve autoridade universal; não a teve, seguramente, sobre as Igrejas do Oriente, apesar das suas pretensões que levaram ao Cisma do século XI. E, no Ocidente, apenas conseguiu manter uma unicidade em estreito conluio com o poder secular — a ferro e fogo — durante alguns séculos mais, até à Reforma Protestante do século XVI. 
5. A Igreja de Roma não é católica em sentido exclusivo; na melhor das hipóteses, é apenas uma parte da Igreja universal.
6. A Igreja de Roma não é Apostólica, pois distorceu a doutrina dos Apóstolos, subtraindo e acrescentando elementos segundo a sua própria vontade.
7. A Igreja de Roma é exatamente isso: romana, e ponto final.
8. É verdade que as portas do Hades não prevalecerão contra a Igreja e que Cristo estará com ela até ao fim dos tempos. Em cada período, por mais obscuro que tenha sido, Deus preservou — tal como no Israel da antiga aliança — um remanescente de crentes fiéis. Assim será até que o Senhor volte. No entanto, é intolerável a arrogância romana de se proclamar a única representante legítima de tal remanescente.
9. A evidência histórica demonstra que a Igreja de Roma, à semelhança de outras, defendeu por vezes a ortodoxia e, noutras, abandonou-a. O verdadeiro problema reside no facto de se fechar numa ilusão de infalibilidade, recusando-se a reconhecer o seu desvio doutrinário e a ser disciplinada pelas Escrituras (Ecclesia semper reformanda). 
10. Tais listas apologéticas assentam num anacronismo grosseiro, que confunde deliberadamente a data de organização institucional de uma igreja com a origem da sua fé. Quando se limpa a sujidade acumulada sobre uma pintura antiga, o quadro não nasce no dia da sua restauração. A Reforma não inventou uma nova religião; limitou-se a remover as inovações dogmáticas para expor a fé original.
11. As diversas comunidades protestantes têm, sem dúvida, uma origem histórica identificável (o que não sucede com Roma, visto que ninguém, além de Deus, sabe quem fundou a Igreja nessa cidade). Contudo, todas partilham a pertença à Igreja autenticamente católica, fundada por Cristo. Reconhecemos a história, mas não exaltamos indevidamente os servos de quem Deus se serviu em cada época.
12. Neste sentido, é ofensivo e inaceitável que, em tais listas, sejamos colocados no mesmo saco de grupos como os mórmons ou as Testemunhas de Jeová.

A Dupla Falácia das Listas de "Fundação"
A falácia anacrónica de tais listas ocorre em duas frentes opostas: 
1) Anacronismo quanto à Igreja Católica (Retroprojeção)
A lista afirma que a "Igreja Católica Romana" foi fundada no ano 33 d.C. por Jesus Cristo. No entanto, do ponto de vista estritamente histórico e documental, essa estrutura não existia no ano 33. No século I, não existia um "Papa" com jurisdição universal, não existia o Colégio dos Cardeais, nem o Dogma da Inefabilidade Papal, nem a missa em moldes romanos, nem a vasta burocracia do Vaticano. A igreja em Jerusalém (ano 33) não era a "Igreja Católica Romana". Roma era apenas uma entre várias comunidades cristãs autónomas (como Antioquia, Alexandria ou Éfeso). A centralização em torno do bispo de Roma e a definição da identidade romana como sinónimo de igreja universal desenvolveu-se gradualmente ao longo dos séculos (especialmente entre os séculos IV e XI). Ao dizer que a Igreja Católica Romana nasceu no ano 33, está-se a colar um rótulo e uma estrutura institucional tardios a uma comunidade do Novo Testamento que não tinha essas características. 

2) Anacronismo quanto às Igrejas Protestantes (Falsa Equivalência)

Estas listas atribuem a figuras como Martinho Lutero (1517) ou John Knox (1560) o papel de "fundadores" de uma nova religião, como se tivessem decidido inventar uma organização do zero, à semelhança da criação de uma instituição moderna. Mas nem Lutero, nem Calvino, nem Knox pretendiam "fundar uma nova Igreja". Eles eram padres e teólogos da própria Igreja ocidental que procuravam reformar e purificar a igreja existente, alinhando-a de novo com os textos fundacionais (as Escrituras). Os reformadores mantiveram a fé nos credos ecuménicos antigos (Apostólico, Niceno, Calcedonense) e na teologia dos Padres da Igreja (como Agostinho). A data de 1517 marca o início de um processo de rutura e reorganização institucional forçado pela excomunhão romana, e não a invenção das doutrinas cristãs que eles pregavam.  

Em resumo, o anacronismo de tais listas consiste em medir duas realidades com réguas temporais totalmente distorcidas:

- Para Roma, ignora-se a evolução histórica de 2000 anos e finge-se que a instituição medieval/moderna já saíra pronta de Pentecostes no ano 33.

- Para o Protestantismo, ignora-se a continuidade da fé cristã anterior e finge-se que a fé reformada começou do zero no dia em que se afixaram as teses ou se organizou administrativamente uma comunidade.

9 comentários:

  1. Há muito tempo o blog estava merecendo um post que refutasse essa falácia!!!!

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  2. A Igreja Católica Apostólica Romana foi fundada por Jesus, Ele mesmo conf. Cl 1,18: Cl 1,24: Ef 1,22.23 e 1 Cor 12.12+ e Mt 16,18 e muitas outras; em 1054, como relatado, parte da Igreja separou da original por se indispor contra o papado sediado em Roma, dos apóstolos Pedro e Paulo, somente àquele foi confiada a Igreja e sucessores onde se estabeleceram e se firmaram.O nome ekklesía katoliká foi-lhe nos anos 104+ ou -;
    Portanto, é Roma a sede original da Igreja de Cristo e todas as outras como a ortodoxa, nem tanto "ortodoxa", bem semelhante às seitas independenticionistas milhares protestantes, corresponde às mesmas dissensas que se desligaram por todo o decorrer dos séculos da Igreja Romana; aliás, esse fenômeno separatista não lhe estranha desde os primórdios, àqual Mt 16, 18 etc., explicitam-no por si mesmo. ...super hanc petram aedificabo Aecclesiam meam...
    O resto são seitas.

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    1. A Igreja de Roma era uma das Católicas, e não a Igreja Católica, pois nunca houve nenhum centralismo em Roma, nenhuma Supremacia da parte de Roma, mas tão somente Primazia de Honra, e inclusive era Baluarte da Ortodoxia/Catolicidade, porém isso não perdurou por muito tempo após a Igreja de Roma vexaminosamente e lamentavelmente transformar-se em um Reino Mundano com a fundação do Estado pontifício(Doação de Pepino), pedra de tropeço da Igreja de Roma, após oque não demorou muito para degradar-se, adulterar o Credo, reivindicar Supremacia e Jurisdição Universal, terminando por separar-se das demais Igrejas Católicas Autocéfalas Orientais, e isso tem quase 1 milênio já.

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  3. Vocês não se cansam de repetir a exaustão esse mantra não!!!!!??? "A Igreja Romana é a Igreja Fundada por Cristo"(mil vezes já vi esse mantra...dizem que uma mentira dita muitas vezes torna-se verdade...talvez seja por isso.)

    Em primeiro lugar,os trechos bíblicos ao qual o Senhor Stefan citou não se referem à Igreja Romana!!!

    O que você acha que significa Igreja na Bíblia?

    ( ) Uma instituição em particular? ( ) O corpo de Cristo?
    Aqui vai uma aulinha para você:
    Significado de Igreja(EKklesia)

    1577 εκκλησια ekklesia(Concordância Strong)
    de um composto de 1537 e um derivado de 2564; TDNT - 3:501,394; n f
    1) reunião de cidadãos chamados para fora de seus lares para algum lugar público,
    assembléia
    1a) assembléia do povo reunida em lugar público com o fim de deliberar
    1b) assembléia dos israelitas
    1c) qualquer ajuntamento ou multidão de homens reunidos por acaso, tumultuosamente
    1d) num sentido cristão
    1d1) assembléia de Cristãos reunidos para adorar em um encontro religioso
    1d2) grupo de cristãos, ou daqueles que, na esperança da salvação eterna em Jesus Cristo,
    observam seus próprios ritos religiosos, mantêm seus próprios encontros espirituais, e
    administram seus próprios assuntos, de acordo com os regulamentos prescritos para o
    corpo por amor à ordem
    1d3) aqueles que em qualquer lugar, numa cidade, vila, etc, constituem um grupo e estão
    unidos em um só corpo
    1d4) totalidade dos cristãos dispersos por todo o mundo

    Bíblia Sagrada
    1-Grupo de seguidores de Cristo que se reúnem em determinado lugar para adorar a Deus,receber ensinamentos,evangelizar e ajudar uns aos outros(Rm 16.16).2-A totalidade salva das pessoas em todos os tempos(Ef1.22)

    Aqui no blog no link < católica> tem um post que fala o que significava ( e ainda significa a despeito da usurpação romana) o termo na Igreja primitiva e nos escritos dos bispos primitivos!

    Quanto citação latina de Mateus 16.18 e a suposta ligação dela com o papado também já foi refutada a exaustão aqui no blog!

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  4. "O resto são seitas"...Se seita no contexto do seu comentário fosse no significado de grupo eu até concordaria,mas se for em um tom pejorativo eu te digo que por este "modus interpretandi" extremamente falacioso o cristianismo é uma seita do judaísmo( e por tabela todas as "seitas" do cristianismo,incluindo o romanismo,são heresias sectárias!!!!

    Geralmente os adeptos do mantra romanista apelam para a Antiguidade da Igreja (vale lembrar que esta é uma espécie de sofisma ad antiquitatem") ou para a rotulação das "seitas",mas pensando desta forma "verdadeira" o romanismo também é seita!!!!

    P.S 1: Se desistires dos sofismas vieres aqui debater com bons argumentos à luz da Bíblia e da literatura patrística sem a repetição vazia de tais "mantras" será bem vinda!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

    P.S 2:Caso queira trazer a argumentação de algum blog romanista,por favor,ponha o link e/ou cite a fonte!

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  5. Eu vejo esse blog só para rir mesmo. Ridiculo. Vão orar, que é melhor que ficar procurando cabelo em ovo, o ruim é pq quem não tem uma boa base na fé acredita nessas chalatanices. Falem de sua igreja ao invés de atacar a nossa, ver-se por aqui, que sua principal "missão" não é adquirir fiéis mais atacar com a Igreja.
    Cadê a Igreja que Jesus fundou? Sumiu? Enquanto os Católicos eram martirizados? Esconderam-se enquanto a Igreja Católica evangelizava os confins da Terra? Quem não tem coragem de dá a cara a tapa, de ser missionário, de sofrer realmente, atacar a Igreja.

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  6. o maior erro das denominações crista e achar que a igreja e uma instituição humana como a romana anglicana pentecostal a igreja de cristo e invisivel e o corpo de cristo são todos os crentes em cristo de todas épocas espalhada em toda terra e em todas as denominações de igrejas existe a igreja verdadeira na igreja romana na igreja evangelica ela e invisivel

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  7. "Mas é intolerável a arrogância romana de ser ela a única representante cabal de tal remanescente."

    É intolerável a arrogância protestante de sustentar que antes da reforma não tinha salvação! Quem seriam esses remanscentes fiéis? Quais os critérios?

    A Igreja de Roma, pelo contrário, dialoga com a Igreja Ortodoxa e as controvérias são infímas comparadas a confusão doutrinária protestante!

    Aliás, no período atual, já que criticastes a instituicionalização católica, mas no período atual da Igreja e , antes mesmo do papa Francisco, a Igreja DE FORMA INSTITUCIONALIZADA, reconhece que a salvação pode ocorrer em outros credos! É só olhar os últimos pronunciamentos dos dois últimos papas!

    E quanto a arrogância protestante??? Quem não tem o credo dos "reformadores" será salvo? A Igreja admite que está em estado de "ignorância invencível" pode ser salvo, e o que os reformadores diziam sobre os índios, incas e maias? Quem são os arrogantes mesmo?

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  8. Se a Igreja admite que quem está em estado de "ignorância invencível" pode ser salvo, então por que não desaparece do mapa, você e a sua Igreja, e deixa-nos a todos em "ignorância invencível"? Seria muito mais seguro e eficaz para a nossa salvação do que nos tentar converter.

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