30 de dezembro de 2020
23 de novembro de 2020
21 de novembro de 2020
Argumentos populares a favor de Deus
Por popular, quero dizer argumentos ou evidências mais acessíveis a não especialistas. Mas isso não significa que sejam inferiores às provas teístas filosóficas/científicas.
1. Argumento da experiência religiosa
Existem exemplos específicos. Por exemplo:
i) Argumento da oração respondida (ou providência especial):
Isso é algo que muitos cristãos experimentam em primeira mão. É claro que é importante distinguir entre coincidência e intercessão divina. Muitos exemplos de oração respondida (ou providência especial) podem ser classificados como milagres de coincidência. Embora possam ser o resultado final de uma cadeia natural de eventos, o resultado é demasiado distintivo, oportuno, pontual e improvável para ser uma questão de sorte.
ii) Argumento dos milagres
Exceto para a Ressurreição, o argumento dos milagres é negligenciado na apologética moderna. Embora filósofos cristãos dediquem grande atenção ao assunto dos milagres, eles normalmente defendem o conceito, a possibilidade e a credibilidade dos milagres, em vez de apresentar evidências de milagres reais.
Defesas
filosóficas:
John Earman, Hume’s Abject Failure: The Argument Against Miracles (Oxford, 2000)
D. Geivett & G. Habermas, eds., In Defense of Miracles: A Comprehensive Case for God's Action in History (IVP, 1997)
Joseph Houston, Reported Miracles: A Critique of Hume (Cambridge, 1994)
Peter vanInwagen: http://andrewmbailey.com/pvi/Of_Of_Miracles.pdf
Estudos de casos:
Craig Keener, Miracles: The Credibility of the New Testament Accounts, 2 vols. (Baker, 2011)
Rex Gardner, Healing Miracles: A Doctor Investigates (Darton, Longman & Todd Ltd, 1986)
2. Argumento da profecia
T. D. Alexander, The Servant King: The Bible's Portrait of the Messiah (Regent College Publishing, 2003)
Herbert Bateman et al. Jesus the Messiah: Tracing the Promises, Expectations, and Coming of Israel's King(Kregel, 2012)
J. Alec Motyer, Look to the Rock: An Old Testament Background to Our Understanding of Christ (Kregel Academic & Professional; 1st ed., 2004)
O. Palmer Robertson, The Christ of the Prophets (P & R Publishing, 2008)
Michael Rydelnik’s The Messianic Hope: Is the Hebrew Bible Really Messianic? (B& H 2010)
John H. Sailhamer, The Meaning of the Pentateuch: Revelation, Composition and Interpretation (IVP, 2009)
3. Argumento moral
https://plato.stanford.edu/entries/moral-arguments-god/
https://appearedtoblogly.files.wordpress.com/2011/05/linville-mark-22the-moral-argument22.pdf
4. Argumento existencial
Levanta a questão de saber se o ateísmo implica niilismo moral e/ou existencial. Por exemplo:
5. A Bíblia
Se a Bíblia for aproximadamente verdadeira, então isso não apenas prova o mero teísmo, como também o teísmo cristão. Existem muitos livros que expõem a confiabilidade histórica geral das Escrituras, bem como do Jesus histórico em particular.
Paul Barnett, Finding the Historical Jesus (Eerdmans, 2009)
Richard Bauckham, Jesus and the Eyewitnesses (Eerdmans, 2nd ed., 2017)
Daniel Block, et al. eds. Israel: Ancient Kingdom or Late Invention? (B&H Academic, 2008)
Craig Blomberg, The Historical Reliability of the New Testament (B&H Academic, 2016)
C. John Collins, Reading Genesis Well (Zondervan 2018)
I. Provan, et al. A Biblical History of Israel (WJK, 2nd ed., 2015)
Peter Williams, Can We Trust the Gospels? (Crossway 2018)
James Hoffmeier. The Archaeology of the Bible (Lion Hudson, 2008)
James Hoffmeier, Israel in Egypt: Evidence for the Authenticity of the Exodus Tradition (Oxford, 1997)
James Hoffmeier, Ancient Israel in Sinai: The Evidence for the Authenticity of the Wilderness Tradition (Oxford, 2005)
D. A. Carson, ed. The Enduring Authority of the Christian Scriptures (Eerdmans, 2016)
S. Cowan & T. Wilder. In Defense of the Bible: A Comprehensive Apologetic for the Authority of Scripture (B&H, 2013)
D. Bock & R. Webb, eds., Key Events in the Life of the Historical Jesus: A Collaborative Exploration of Context and Coherence (Eerdmans, 2010).
Paul Rhodes Eddy & Gregory Boyd, The Jesus Legend: A Case for the Historical Reliability of the Synoptic Jesus Tradition (Baker, 2007)
Colin Hemer, The Book of Acts in the Setting of Hellenistic History (Eisenbrauns, 1990)
Craig A. Evans, Jesus and His World: The Archeological Evidence (WJK, 2012)
R. Hess, et al. eds. Critical Issues in Early Israelite History (Eisenbrauns, 2008)
James Hoffmeier & Dennis MaGary, eds., Do Historical Matters Matter to Faith? (Crossway, 2012)
Kenneth Kitchen, On the Reliability of the Old Testament (Eerdmans 2003)
Alan Millard et al. eds. Faith, Tradition, and History: Old Testament Historiography in Its Near Eastern Context(Eisenbrauns, 1994)
Stanley Porter, John, His Gospel, and Jesus (Eerdmans, 2016)
Vern Poythress, Inerrancy and the Gospels (Crossway 2012)
Andrew Steinmann. From Abraham to Paul: A Biblical Chronology (Concordia, 2011)
Bruce. W. Winter, The Book of Acts in Its First Century Setting, vols. 1-4 (Eerdmans)
18 de novembro de 2020
Evidência de Deus e o deus das lacunas
I. É importante ter expectativas razoáveis quanto à evidência de Deus. Se o Deus do teísmo clássico existe, então ele não é diretamente detetável. Deus não é um objeto empírico. Deus é impercetível para os cinco sentidos. A evidência pública de Deus envolve inferir a existência de Deus dos seus efeitos e/ou do seu poder explicativo.
Este não é um conceito incomum. Por exemplo, o passado não é detetável diretamente. No presente, o passado é impercetível para os cinco sentidos. Em alguns casos, temos registos de áudio e visuais do passado. Na maioria dos outros casos, inferimos o passado a partir de evidências residuais. Inferimos o passado a partir do efeito residual do passado sobre o presente. Da mesma forma, podemos inferir objetos abstratos (por exemplo, números, mundos possíveis) com base no seu valor explicativo indispensável. Portanto, os tipos de evidência de Deus não são exclusivos do teísmo clássico. Existem temas análogos em que recorremos aos mesmos tipos de evidência.
Para dar um exemplo específico, interpretar uma cena de crime é um exercício de reconstrução histórica. Um detetive de homicídios pode ter que determinar a causa da morte. Foram causas naturais? Foi acidental? Ou foi assassinato? Um assassino inteligente tentará ocultar a verdadeira causa. Um detetive de homicídios deve estar alerta a pistas subtis de agência inteligente.
É claro que Deus pode tornar a sua existência mais explícita por meio de uma voz audível ou milagres. Na verdade, muitas pessoas dizem que testemunharam isso. Mas isso não é uma experiência universal.
II. Os argumentos científicos a favor de Deus são geralmente atacados como argumentos da ignorância. Defende-se que devemos operar presumindo o naturalismo, porque o naturalismo metodológico tem um grande histórico no preenchimento de lacunas.
Há, no entanto, vários problemas com esta objeção:
i) Ela substitui o deus das lacunas pelo naturalismo das lacunas.
ii) Ela deturpa a teologia cristã. Deus não causa diretamente todos os eventos - ou mesmo a maioria dos eventos. Antes, há uma doutrina da providência geral, onde os eventos naturais são normalmente o resultado de causas físicas. Portanto, o facto da ciência descobrir mecanismos naturais não preenche lacunas que eram anteriormente a instância do «fiat» imediato de Deus. A religião popular pode ser culpada disso, mas não a teologia cristã.
iii) Além disso, a objeção às vezes assume o que é preciso demonstrar. Por exemplo, um ateu dirá que as pessoas costumavam atribuir a doença mental à possessão demoníaca, mas agora sabemos que a doença mental tem causas naturais.
No entanto, afirmar que a possessão demoníaca é inerentemente supersticioso e não científico não apenas é uma petição de princípio como ignora as evidências em contrário. Por exemplo:
http://www.craigkeener.com/exorcism-stories/
M. Scott Peck, Glimpses of the Devil A Psychiatrist's Personal Accounts of Possession, Exorcism, and Redemption (Free Press, 2009)
iv) Argumentos de design são argumentos do conhecimento. Indicações de agência racional. Para fazer uma comparação, um detetive pode ter que determinar se uma morte foi acidental ou um homicídio. Um assassino inteligente encenará um assassinato para fazer parecer uma morte acidental ou morte por causas naturais. No entanto, pode haver indicações subtis de que foi assassinato. Imagine-se um ateu objetando com o fundamento de que devemos sempre ser pacientes e assumir que a morte foi acidental ou devido a causas naturais. Mesmo que não possamos explicar dessa forma, devemos esperar até desenvolver uma teoria para fazê-lo. Invocar um agente pessoal (assassino) é homicídio das lacunas.
v) Algumas questões, como o difícil problema da consciência, defensavelmente pertencem a um domínio diferente do fisicalismo. Argumentos para a irredutibilidade da consciência são metafísicos em vez de científicos.
29 de outubro de 2020
28 de outubro de 2020
A quadratura do círculo do sistema "Bíblia, Tradição e Magistério"
24 de abril de 2020
1 de abril de 2020
O QUE DEUS ESTÁ A FAZER ATRAVÉS DA PANDEMIA
15 de março de 2020
O conselho pastoral de Martinho Lutero durante a Peste Negra
23 de dezembro de 2019
"Não podemos censurar ninguém por olhar para isso e dizer que a aleatoriedade nunca poderia ter criado tal coisa. Alguém deve ter pensado isto."
11 de dezembro de 2019
Fake News em formato de livro
O branqueamento e a manipulação massiva da História é a forma moderna da Inquisição.
https://www.historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/1371/781
25 de abril de 2019
Exortações várias
20 de abril de 2019
O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele
28 de outubro de 2018
Não há autoridade que não proceda de Deus
27 de outubro de 2018
A BRUTAL INJUSTIÇA DO ANIQUILACIONISMO E DO UNIVERSALISMO
No aniquilacionismo todos os homens que não forem salvos sofrerão a mesma pena, isto é, a aniquilação eterna, a passagem à não-existência. Não há qualquer tipo de gradação. Todos acabarão da mesma forma.
O mesmo se aplica ao universalismo, isto é, a teoria que defende que no fim todos os homens serão salvos. Todos também acabarão da mesma forma, independentemente do que fizeram em vida. O universalismo despreza por completo a justiça.
É como decretar a impunidade geral para todos os homens.
O paradoxo do amor de Deus
29 de agosto de 2018
Sobre o anonimato dos Evangelhos
23 de junho de 2018
Tu és fiel, Senhor
Flores e frutos, montanhas e mares,
Todo o Universo vem pois Te louvar!
Refrão
Tu és fiel, Senhor! Tu és fiel, Senhor!
2 de junho de 2018
Uma breve introdução ao Design Inteligente. O que está em causa?
A IRREDUZÍVEL COMPLEXIDADE DA VIDA
"A estrutura das máquinas e o seu funcionamento é assim formado pelo homem, embora os seus materiais e as forças que as operam obedeçam às leis da natureza inanimada. Ao construir uma máquina e fornecê-la com energia, aproveitamos as leis da natureza que trabalham no seu material e na energia que a impulsiona e as fazemos servir o nosso propósito... Assim, a máquina em conjunto funciona sob o controle de dois princípios diferentes. O superior é o princípio do desenho da máquina, e este aproveita o inferior, que consiste nos processos físico-químicos nos quais se baseia a máquina".
(Polanyi, M. Life´s irreducible structure. Science 160: 1308-1312, 1968; página 1308).
São precisamente os limites que a máquina impõe à forma em que nela podem operar as leis naturais o que a torna útil. Igualmente, as leis naturais não suspendem as suas operações nos sistemas biológicos, mas existe neles um princípio superior de organização que aproveita estas leis. Assim, a existência dos ácidos nucleicos sem dúvida obedece a leis químicas, mas neles encontra-se um vasto conteúdo de informação cuidadosamente especificada que não poderia existir só pela operação das leis químicas.
"Suponha-se que a estrutura real de uma molécula de DNA fora devida ao facto das ligações entre as suas bases serem muito mais fortes do que seriam para qualquer outra distribuição de bases; então tal molécula de DNA não teria conteúdo informativo ... Podemos notar que tal é realmente o caso de uma molécula comum. Uma vez que a sua estrutura ordenada é devida a um máximo de estabilidade, correspondente a um mínimo de energia potencial, o seu ordenamento carece da capacidade de funcionar como um código... À luz da atual teoria da evolução, a estrutura codificada do DNA deve ser assumida como tendo surgido por uma sequência de variações ao azar estabelecida por seleção natural. Mas este aspecto evolutivo é irrelevante aqui; qualquer que seja a origem de uma configuração de DNA, ela pode funcionar como código somente se a sua ordem não for devida às forças da energia potencial... Vimos que a fisiologia interpreta o organismo como uma complexa rede de mecanismos, e que um organismo é - como uma máquina - um sistema sob controle dual. A sua estrutura é a de uma condição de contorno que aproveita as substâncias físico-químicas do organismo, ao serviço das funções fisiológicas ... E posso acrescentar que o DNA é tal tipo de sistema, já que todo o sistema que traz informação está debaixo de controle dual, pois qualquer sistema deste tipo restringe e ordena, ao serviço do transporte da sua informação, recursos extensos de particulares que de outro modo seriam abandonados ao azar, e portanto age como uma condição de contorno"
(Polanyi, l.c., página 1309).
Precisamente, a investigação bioquímica encontrou, repetidamente, sistemas cuja complexidade intrínseca e interdependência entre as suas partes desafia todo o intento de imaginá-los como o produto de uma evolução gradual a partir de sistemas mais simples.
A força deste argumento foi percebida por George C. Williams, um dos originadores da teoria de seleção de genes popularizada por Richard Dawkins no seu livro O gene egoísta. Não obstante, Williams posteriormente declarou:
"Os biólogos evolucionistas não se deram conta de que trabalham com dois domínios mais ou menos incomensuráveis: o da informação e o da matéria ... Estes dois domínios nunca de forma alguma podem ser reunidos pelo que habitualmente se designa por ‘reducionismo’ ... O gene é um bloco de informação, não um objeto. O padrão de pares de bases numa molécula de DNA especifica o gene. Mas a molécula de DNA é o meio, não a mensagem. Manter esta distinção entre o meio e a mensagem é absolutamente indispensável para pensar com clareza acerca da evolucão... Em biologia, quando você fala de coisas como genes, genótipos e grupos de genes, está a falar acerca de informação, não de uma realidade física objetiva".
(Entrevista em John Brockman, Ed. The Third Culture: Beyond the Scientific Revolution. Simon & Schuster, New York, 1995, p. 42-43).
Quatro exemplos de sistemas complexos
Poderia abundar-se em exemplos, mas nos limitaremos a citar alguns dos mais óbvios. A propósito do desenvolvimento de órgãos complexos, menciono a extraordinária complexidade da fotossensibilidade, ou propriedade de certas células de responder à luz. Tal processo envolve uma cadeia de reações catalizadas enzimaticamente, variações em concentrações de intermediários, mudanças de permeabilidade iónica nas membranas, libertação de mensageiros químicos e processos de recuperação.
Um segundo exemplo o constitui o mecanismo de transporte intracelular de proteínas. Quando uma proteína é produzida, tem de ser colocada no sítio correto da célula. Este direcionamento exige um complexo sistema de membranas, passos intermédios, enzimas e cofatores, a maioria dos quais são imprescindíveis, de modo que o processo falha se faltar ou estiver alterado um deles.
Outro exemplo o constitui o mecanismo de hemostasia, ou detenção da hemorragia de uma ferida, através da coagulação do sangue. Trata-se de uma cascata de reações que envolvem precursores de enzimas, enzimas e cofatores. A falta ou alteração de um só deles ocasiona, por exemplo, a hemofilia. Outros defeitos podem ocasionar o transtorno oposto, uma excessiva coagulabilidade do sangue, de graves consequências. Em consequência, a coagulação deve ser precisamente regulada tanto para que o sangue coagule quando isso é favorável ao organismo, como para que não coagule quando isso é prejudicial.
Um quarto exemplo o constitui o sistema imunitário, com a sua capacidade de produzir anticorpos contra substâncias estranhas (antígenos) com a consequente destruição, através de outra cascata enzimática chamada complemento, das células estranhas ao organismo. De novo, é essencial que o organismo possua mecanismos de defesa contra as infeções, mas ao mesmo tempo é vital que tais mecanismos não reajam contra as próprias células do hóspede.
Estes últimos dois sistemas, da coagulação e do complemento caracterizam-se portanto, além da sua complexidade, pela necessidade de uma rigorosa regulação que impeça a sua ativação em condições inapropriadas. Tanto a ativação do mecanismo da coagulação como a de mecanismos imunológicos são imprescindíveis para conservar a vida, mas podem pô-la em perigo se não forem cuidadosamente regulados.
Chamativamente, não existem explicações adequadas, no quadro neodarwinista, sobre a aparição destes sistemas; a sua existência não pode negar-se, mas o modo em que vieram à existência não está de todo claro. Como sublinha Michael Behe:
"A impotência da teoria darwinista para dar conta das bases moleculares da vida é evidente não só das análises deste livro, mas também da ausência completa, na literatura científica profissional, de quaisquer modelos detalhados pelos quais poderão ter-se produzido sistemas bioquímicos complexos... Perante a enorme complexidade que a moderna bioquímica descobriu na célula, a comunidade científica está paralisada. Ninguém na Universidade de Harvard, ninguém nos Institutos Nacionais de Saúde, nenhum membro da Academia de Ciências, nenhum ganhador do prémio Nobel - ninguém em absoluto consegue dar um relato detalhado de como o cílio [complexo órgão motor], ou a visão, ou a coagulação do sangue, ou qualquer processo bioquímico complexo pode ter-se desenvolvido ao modo darwiniano. Mas estamos aqui. As plantas e os animais estão aqui. Os sistemas complexos estão aqui. Todas estas coisas chegaram aqui de alguma maneira; se não ao modo darwiniano, como?" (Behe MJ. Darwin's Black Box. The biochemical challenge to evolution New York, The Free Press, 1996; página 187).
Desenho sem desenhador?
O argumento do desenho, de longa data, foi apresentado nos tempos modernos por William Paley na sua Teologia Natural e foi ridicularizado por décadas pelos partidários do dogma evolutivo. Talvez a mais conhecida tentativa seja a de Richard Dawkins no seu O relojoeiro cego. Este cientista britânico explica que pode considerar-se um ateu intelectualmente satisfeito graças a Darwin e define a biologia como o estudo de coisas complicadas que dão a impressão, ou melhor criam a ilusão, de terem sido criadas com um propósito.
"O problema do biólogo é o problema da complexidade. O biólogo tenta explicar o funcionamento, e o início da existência, de coisas complexas em termos de coisas mais simples...
A seleção natural é o relojoeiro cego, cego porque não pode ver o que há por diante, não planeja as consequências, não tem propósito em vista. No entanto, os resultados vivos da seleção natural nos impressionam avassaladoramente com a aparência de desenho e planificação"
(Richard Dawkins, The Blind Watchmaker, 3rd Ed. W.W. Norton, New York, 1996, página 15,21)
Paley defendia a noção de desenho com base na presumida perfeição da criação, e os seus adversários foram capazes de assinalar muitas imperfeições, verdadeiras ou supostas. No entanto, a noção de desenho não traz implícita a ideia de perfeição. Podemos perceber desenho quando num sistema ou objeto se deteta uma disposição deliberada, significativa e inteligente das suas partes. Uma tosca ferramenta neolítica é considerada prova de desenho inteligente em arqueologia. Além disso, deve sublinhar-se que a ideia de desenho inteligente não contradiz de modo algum a operação das leis naturais, nem nos diz nada diretamente sobre a identidade do desenhador.
A deteção de desenho inteligente é usada continuamente pelos arqueólogos para a deteção de restos de atividade humana. Mais ainda, se projetos como o da "deteção de inteligência extraterrestre" (SETI) detetasse uma mensagem (informação) proveniente do espaço exterior, por mais simples que esta fosse, isso seria considerado evidência em favor da existência de inteligência extraterrestre. De igual modo, é difícil evitar a conclusão de que a deteção de desenho inteligente nos sistemas biológicos implica que, conforme a nossa experiência, a ideia de um desenhador está longe de ser absurda, ainda que não soubéssemos nada acerca da sua identidade. De facto, fora da biologia tal como esta é entendida pelos neodarwinistas, a existência de um verdadeiro desenho não explicável pela simples operação de forças físicas é considerada evidência irrefutável da existência de um desenhador inteligente.
É a seleção natural um fracasso?
A crítica anterior sobre a validade da seleção natural como mecanismo da evolução não implica de modo algum negar a realidade da seleção natural; mas salienta que é altamente improvável que tal mecanismo possa ser responsável pela diversidade de espécies.
A seleção natural parece ser um importante mecanismo na microevolução. Um exemplo famoso é o das populações da chamada borboleta do abedul (Biston betularia). Este inseto é normalmente de cor clara, embora ocasionalmente surgem, por mutação, exemplares escuros. Antigamente tais exemplares escuros eram eliminados rapidamente pelos predadores, pois a sua cor os tornava muito visíveis sobre o tronco das árvores. Quando a revolução industrial em Inglaterra fez que as árvores se escurecessem pela fuligem, a população de Biston tornou-se predominantemente escura. Em tempos recentes, as medidas ecológicas clarificaram os troncos, e os insetos claros voltaram a predominar.
É importante observar 1) que havia borboletas claras e escuras durante todo o período, e até hoje e 2) que o predomínio de uns exemplares ou outros não envolve o surgimento de uma nova espécie. Apesar disso, muitos pensam que estes mecanismos seletivos são similares aos envolvidos na especiação. No entanto, o que é verdade numa escala não necessariamente o é em outra. Por exemplo, a temperaturas de muitos milhares de graus, como as existentes no interior das estrelas, produzem-se reações termonucleares. Os fenómenos de combustão também elevam a temperatura. No entanto, não se podem produzir reações termonucleares com um fogareiro ou um forno de padaria. A escala é muito diferente. O facto da seleção natural modificar o equilíbrio de populações, por exemplo, de bactérias resistentes a um antibiótico, não implica que possa transformar umas espécies em outras, nem que seja o mecanismo responsável pela fantástica diversidade dos seres vivos.
De facto, ainda que não o digam nos seus tratamentos do tema dirigidos à opinião pública, a comunidade científica evolucionista está dolorosamente consciente destes problemas.
"Passou aproximadamente meio século desde que foi formulada a síntese neodarwiniana. Realizou-se muita investigação dentro do paradigma que ela define. No entanto, os êxitos da teoria limitam-se às minúcias da evolução, como mudanças adaptativas na cor das borboletas; ao passo que tem notavelmente pouco que dizer sobre as perguntas que nos interessam mais, como por exemplo, de como chegou a haver borboletas em primeiro lugar" (Ho, M.W.; Saunders, P. Beyond Neo-Darwinism - An epigenetic approach to evolution. Journal of Theoretical Biology 78: 589, 1979).
Os artrópodes, invertebrados de patas articuladas que incluem crustáceos, quelicerados, miriápodes e insetos, constituem mais de metade de todas as espécies conhecidas. No entanto,
"...para lá desta rudimentar taxonomia, há pouco acordo sobre como se relacionam os artrópodes, existentes e extintos ... Permanece a pergunta evolucionista central: Como, em termos tanto de padrão como de processo, veio à existência a incomparável diversidade e persistência dos artrópodes? ... Os estudos de morfologia e embriologia comparativa somente polarizaram ainda mais o debate... por agora, os dados moleculares são muito escassos, e a diversificação demasiado rápida e antiga para permitir a reconstrução de filogenias não ambíguas... Mesmo se a filogenia historicamente correta pudesse ser decifrada..., só teríamos a metade de uma resposta à pergunta evolucionista central. Permaneceria o desafio de reconciliar o padrão filogenético com o processo evolutivo".
(Grosberg, R.K.: Out on a limb: Arthropod origins. Science 250: 632-633, 1990; ver também Lemarchand, F. Les premiers insectes. La Recherche 296: 85, Mar. 1997).
19 de março de 2018
Poema para Galileo
2 de março de 2018
O "Não" Problema do Mal
Além disso, a existência do mal é uma pressuposição necessária do teísmo bíblico. Se vivêssemos num mundo desprovido de mal moral e natural, a ausência, em vez da presença do mal, falsificaria a descrição bíblica da realidade. A história da Bíblia está repleta de mal. A salvação e o juízo escatológico são o remédio final.
