Sem dúvida, a Bíblia chegou-nos através da Igreja Católica, o que não é o mesmo que a Igreja de Roma. Um dos primeiros efeitos - e motores - da Reforma Protestante foi a produção de boas edições da Bíblia em línguas vernáculas, enquanto Roma permanecia anacronicamente apegada à Vulgata (que o Concílio de Trento consagrou como a única versão normativa para todos os efeitos práticos).
O aspecto mais relevante das primeiras versões protestantes é que se basearam diretamente nas línguas originais - o hebraico e o grego -, utilizando manuscritos que não foram fornecidos pelo Vaticano. Muitos desses textos tinham sido preservados ao longo dos séculos em mosteiros do Oriente Cristão (como o Império Bizantino e o Levante) e em bibliotecas do mundo ocidental, tendo chegado à Europa Central e Ocidental através do êxodo de eruditos gregos após a queda de Constantinopla (1453) e do trabalho dos humanistas.
Na verdade, a Biblioteca do Vaticano possuía, pelo menos desde o século XV, um dos melhores manuscritos do texto grego do Novo Testamento e da Septuaginta: o Codex Vaticanus (Códice B, do século IV). No entanto, a hierarquia romana manteve o acesso a este manuscrito vedado à erudição internacional até à segunda metade do século XIX.
Enquanto os protestantes de língua portuguesa passaram a dispor de um Novo Testamento traduzido dos originais já em 1681 (obra de João Ferreira de Almeida, completada no Antigo Testamento no século XVIII), o mundo católico de expressão portuguesa só teve acesso a uma Bíblia católica traduzida dos textos originais no século XX, com a Bíblia Sagrada da Difusora Bíblica (ou a célebre Bíblia Monumental/Ilustrada, lançada em fascículos entre 1957 e 1970). Trata-se de um hiato de quase três séculos em que as edições católicas em vernáculo eram, regra geral, meras traduções da Vulgata Latina (como a do Padre António Pereira de Figueiredo ou a do Padre Manuel de Matos Soares).
(Note-se que este atraso não foi acidental: o Vaticano só veio a autorizar oficialmente os tradutores e exegetas católicos a traduzirem a Bíblia diretamente das línguas originais em 1943, através da encíclica Divino Afflante Spiritu do Papa Pio XII. Até essa data, vigorava a obrigatoriedade de traduzir a partir do texto latino da Vulgata).
Diante destes factos históricos e textuais, do que falam afinal os apologistas de Roma?

Excelente!!!!!
ResponderEliminarEstou produzindo um estudo contra a besteirada repetida ad nausean de que JFA adulterou a Bíblia!!!Algumas acusações chegam a ser engraçadas...se utilizam até de palavras sinônimas...não entendem a polissemia das palavras....enfim...depois te envio por email.
Isso é fácil de refutar. É tão ridículo que para todas as supostas adulterações da Bíblia JFA há uma bíblia católica algures com a mesma suposta adulteração :) . É só uma questão de procurar.
ResponderEliminarAté aquele pé de vento que fazem com o fato de Lutero na sua Bíblia para alemão ter traduzido com "justificados só pela fé" uma passagem da Bíblia que diz "justificados pela fé", há bíblias católicas que cometem o mesmo crime e trazem o "só" também nessa passagem.