sábado, 9 de março de 2013

Ireneu de Lyon e a tradição oral apostólica


A Sola Scriptura no mesmo sentido (embora não necessariamente com as mesmas palavras) com que a entenderam os Reformadores, é uma doutrina cristã histórica que conta com o consenso virtualmente unânime dos Padres da Igreja.
Somente em tempo relativamente recente (não muito antes do Concílio de Trento) começou a desenvolver-se a doutrina de que a Tradição apostólica oral era um veículo de revelação ao mesmo nível que as Escrituras.
Mas, como não podia deixar de ser, os apologistas romanos tentam transplantar esta doutrina tardia para os primeiros séculos do cristianismo. Ireneu de Lyon, considerado Padre da Igreja, do século II, é assim uma das suas vítimas.
Numa audaz tentativa de demonstrar que Ireneu reconhecia a existência de uma Tradição oral, proveniente dos Apóstolos, em pé de igualdade com as Escrituras como outra fonte de revelação, os apologistas romanos costumam fazer uma "visita guiada" extremamente selectiva aos escritos deste Padre antigo e citam dois textos dele fora do contexto. São eles:
«Quando então passamos a apelar para a tradição que vem dos apóstolos e que se conserva nas igrejas pelas sucessões dos presbíteros, então eles opõem-se a esta tradição, afirmando que eles sabem mais, não só que os presbíteros, mas até que os próprios apóstolos, porque descobriram a verdade não adulterada»
«Assim, todos os que desejam a verdade podem perceber em qualquer igreja a tradição dos Apóstolos manifestada no mundo inteiro. E nós podemos enumerar os que os apóstolos instituíram como bispos nas igrejas, bem como suas sucessões até nossos dias
Ambas as citações são da obra “Contra as Heresias” de Ireneu de Lyon. A primeira provém do Livro III, Capítulo 2, parágrafo 2 e a segunda é parte do Capítulo 3, parágrafo 1.
Para entender o que quer dizer Ireneu, é preciso ler também o primeiro parágrafo, que precede imediatamente o primeiro texto citado. Pois de outro modo, não se entende a que se refere o ilustre bispo de Lyon com a sua cláusula inicial, "Quando então passamos".
Eis aqui o parágrafo em falta:
«Quando, no entanto, [os hereges] são refutados a partir das Escrituras, eles viram-se e acusam essas mesmas Escrituras, como se não fossem correctas, nem de autoridade, e [afirmam] que são ambíguas, e que a verdade não pode ser extraída delas por aqueles que são ignorantes da tradição. Pois [alegam] que a verdade não foi transmitida por meio de documentos escritos, mas de viva voz: pelo que Paulo também declarou: "Mas falamos a sabedoria entre os que são perfeitos, mas não a sabedoria deste mundo" [cf. 1 Cor 2:6]. E esta sabedoria cada um deles alega ser a ficção de sua própria invenção, claro; de modo que, de acordo com a sua ideia, a verdade reside propriamente numa ocasião em Valentim, noutra em Marcião, noutra em Cerinto, depois posteriormente em Basílides, ou esteve alguma vez indiferentemente em qualquer outro oponente. Pois cada um destes homens, sendo por completo de uma perversa disposição, depravando o sistema de verdade, não se envergonha de pregar-se a si mesmo.»
Ireneu, Adv Haer, III,2,1
Agora segue-se o parágrafo citado habitualmente:
«Quando então passamos a apelar para a tradição que vem dos apóstolos e que se conserva nas igrejas pelas sucessões dos presbíteros, então eles opõem-se a esta tradição, afirmando que eles sabem mais, não só que os presbíteros, mas até que os próprios apóstolos, porque descobriram a verdade não adulterada
Pode entender-se agora claramente que a autoridade suprema para Ireneu, e a sua primeira linha de debate, são as Escrituras. No tempo de Ireneu, eram os hereges gnósticos aqueles que rebaixavam a autoridade das Escrituras e afirmavam que não podiam ser compreendidas sem uma tradição oral proveniente dos próprios Apóstolos.
Quanto ao segundo texto citado, do capítulo 3:
«Assim, todos os que desejam a verdade podem perceber em qualquer igreja a tradição dos Apóstolos manifestada no mundo inteiro. E nós podemos enumerar os que os apóstolos instituíram como bispos nas igrejas, bem como suas sucessões até nossos dias
Continua dizendo Ireneu:
«...os quais [bispos] nem ensinaram nem conheceram nada parecido àquilo acerca do qual estes [hereges] deliram. Pois se os Apóstolos tivessem conhecido mistérios ocultos, os quais costumavam dar aos "perfeitos" privada e separadamente do resto, eles os entregariam especialmente àqueles a quem também estavam confiando as próprias Igrejas. Pois estavam desejosos de que estes homens fossem perfeitíssimos e irrepreensíveis em tudo, aqueles que deixaram após si como seus sucessores, entregando o seu próprio lugar de governo a estes homens; os quais, se cumprissem as suas funções honestamente, seriam um benefício [para a Igreja], mas se apostatassem, a pior calamidade
Adv Haer III,3,1; negrito acrescentado.
Em outras palavras, Ireneu rejeita sumária e categoricamente a existência das tradições orais supostamente apostólicas a que apelavam os gnósticos para provar as suas falsas doutrinas.
Ireneu claramente afirma que a Escritura é suprema, enquanto a tradição é subsidiária. A tradição das Igrejas apostólicas seria (pelo menos no século II) um substituto em caso de que não contássemos com Escrituras. O problema era que os hereges não aceitavam nenhuma das duas. Finalmente, deve destacar-se a que se refere Ireneu com esta tradição unânime da Igreja:
«A Igreja, apesar de dispersa por todo o mundo, até aos confins da terra, recebeu dos apóstolos e dos seus discípulos esta fé: num Deus, o Pai Omnipotente, Fazedor do céu, e da terra, e do mar, e de todas as coisas que neles há; e num Cristo Jesus, o Filho de Deus, que encarnou para nossa salvação; e no Espírito Santo, que proclamou através dos profetas as dispensações de Deus, e as vindas, e o nascimento de uma virgem, e a paixão, e a ressurreição dentre os mortos, e a ascensão na carne aos céus do amadíssimo Cristo Jesus, nosso Senhor, e a sua manifestação desde o céu na glória do Pai, "para reunir todas as coisas numa" e para ressuscitar toda a carne da raça humana inteira, de forma que perante Cristo Jesus, nosso Senhor, e Deus, e Salvador, e Rei, segundo a vontade do Pai invisível, "todo o joelho se dobre, das coisas no céu, e das coisas na terra e das coisas debaixo da terra, e toda a língua o confesse" a Ele, e que Ele execute o justo juízo de todos; que Ele possa enviar as impiedades espirituais e os anjos que prevaricaram e se tornaram apóstatas, juntamente com os ímpios, e injustos, e malvados, e profanos de entre os homens, para o fogo eterno; mas possa, em exercício da sua graça, conferir imortalidade aos justos, e santos, e àqueles que guardaram os seus mandamentos, e perseveraram no seu amor, alguns desde o princípio e outros desde o seu arrependimento, e possa rodeá-los com sempiterna glória.
Como já observei, a Igreja, tendo recebido esta pregação e esta fé, apesar de dispersa pelo mundo inteiro, mesmo assim, como se não ocupasse senão uma casa, a preserva cuidadosamente. Ela também crê estes pontos exactamente como se possuísse uma só alma, e um e idêntico coração, e ela os proclama, e os ensina, e os transmite, com perfeita harmonia, como se possuísse uma só boca. Pois ainda que as linguagens do mundo sejam distintas, o conteúdo da tradição é um só e idêntico. Pois as igrejas que foram plantadas na Germânia não crêem nem transmitem nada diferente, nem aquelas de Espanha, nem aquelas nas Gálias, nem aquelas do Oriente, nem aquelas do Egipto, nem aquelas na Líbia, nem aquelas que foram estabelecidas nas regiões centrais do mundo. Mas como o sol, essa criatura de Deus, é um só em todo o mundo, assim também a pregação da verdade resplandece em todos os lugares, e ilumina todos os homens que estão dispostos a vir a um conhecimento da verdade. Nem nenhum dos governantes das Igrejas, sem importar quão dotado possa ser no tocante à eloquência, ensina doutrinas diferentes destas (pois ninguém é maior do que o Mestre); nem, por outro lado, quem seja deficiente em poder de expressão infligirá dano à tradição. Pois sendo sempre a fé uma só, nem alguém que é capaz de dissertar sobre ela lhe fará adição alguma, nem a diminuirá quem possa dizer pouco
Ireneu, Adv Haer I, 10, 1-2; negrito acrescentado.
Aqui é interessante observar o resumo que Ireneu formula da fé apostólica e católica; coisas todas elas que se ensinam claramente nas Escrituras e que são cridas hoje nas Igrejas evangélicas. Em outro lado apresenta também uma espécie de credo, e depois continua com uma exposição do ensino cristão baseado nas Escrituras [Adv Haer III, 4, 2ss]. Por último, Ireneu não se cansa de afirmar que é nas Igrejas cristãs, estabelecidas pelos Apóstolos e por aqueles que lhes sucederam no pastorado, onde se achará a exposição fiel da doutrina apostólica que se encontra nas Escrituras.
Conclusão
Depois de analisar estes textos, verifica-se que Ireneu apela antes de tudo à autoridade das Escrituras, e somente em segundo lugar à tradição da Igreja. Mas sempre que formula esta tradição, vê-se que se trata das noções fundamentais da fé que todos os cristãos sustentam.
Em outras palavras, a tradição apostólica que se conservava nas Igrejas do século II é a mesma que ensina a Escritura.
Não há pois vestígios de uma tradição extra-escritural. Esta era defendida somente pelos gnósticos para sustentar as suas próprias doutrinas. Se o argumento resulta conhecido aos leitores, é simplesmente porque o utilizam hoje todos os apologistas católicos.

9 comentários:

  1. Muito bom!!! Vou divulgar!!!! "Doutrina crida nas Igrejas evangélicas"....graças a DEUS o evangelho genuíno e verdadeiro é atemporal....existiam heresias no século II...existem hoje...mas esse verdadeiro evangelho permanece incólume e triunfante!!!!!

    AH! Só pra constar....eu vi essa pérola hoje no facebook:"Os padres primitivos não eram tão bibliólatras como vocês são...eles amavam as tradições..."...

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  2. Se quiser aprofundar-se mais no tema, indico o artigo do William Webster que está muito bem documentado.

    Pode ser encontrado aqui:

    http://www.christiantruth.com/scriptureandchurchfathers.html

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  3. Nos Padres da Igreja a palavra «tradição» pode ter três significados:

    1) a tradição apostólica que corresponde à doutrina ensinada pelos apóstolos como se encontra nas Escrituras.

    2) a tradição eclesiástica que diz respeito a práticas e costumes da igreja de ordem litúrgica, dias de festa, etc

    3) a tradição interpretativa das Escrituras que é o apelo a uma determinada interpretação consensual das Escrituras por parte dos padres.

    O problema é que nenhum destes significados se encaixa no conceito de «Tradição apostólica» a que se refere a Igreja Católica, e que foi definido no Concílio de Trento como «tradições não escritas, que recebidas da boca do próprio Cristo pelos Apóstolos, ou ensinadas pelos próprios Apóstolos inspirados pelo Espírito Santo, chegaram como de mão em mão até nós».

    Além disso, como nunca se delimitou a identidade e o alcance desta suposta “Tradição apostólica”, de um mesmo nível de autoridade que as Escrituras, a declaração de Trento deixou aberto o caminho para uma série de doutrinas extra e anti-bíblicas.

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  4. Não é que os Padres não valorizassem a tradição. Eles tinham a tradição em grande estima, da mesma maneira que nós também temos. Sim, também as igrejas evangélicas respeitam tradições (ex. o uso de determinado hinário no culto, o uso de determinadas confissões de fé, a guarda de determinado dia principalmente o domingo, a identidade dos autores dos quatro evangelhos canónicos, etc.). O princípio de Sola Scriptura não exclui a legitimidade da existência de tradições. O que a Sola Scriptura defende é a Escritura como a autoridade suprema e final em matéria de fé e de moral, e isto não é incompatível com a existência e autoridade de certas tradições.

    No entanto, quando a Igreja Católica fala em «Tradição Apostólica oral», não está a falar de quaisquer tradições, mas de ensinamentos dos apóstolos transmitidos oralmente que não foram escritos, e que constituem uma segunda fonte de revelação. E aqui é que a porca torce o rabo, porque enquanto a autoridade das Escrituras é proclamada repetidamente de forma unânime pelos Padres, não existe um consenso semelhante quanto a uma tradição que, proveniente dos Apóstolos, tivesse carácter normativo. Em outras palavras, a Igreja de Roma não pode de maneira nenhuma demonstrar que o seu dogma das duas fontes de revelação foi a doutrina da Igreja Católica antiga, crida sempre e em toda a parte.

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  5. Tu tens a presunção de adivinhar o que os padres queriam dizer quando se referiam a palavra "Tradição".E quando eles se referiam ao termo "Escritura" eles eram unânimes no entendimento protestante?Por que a maioria dos blogs protestantes se utilizam destes artifícios?Por que utilizar o termo "Escritura" da obra "Diálogo com Trifão",por exemplo,se ele se referia ao Antigo Testamento?

    A verdade é que os PADRES SE REFERIAM TANTO AS TRADIÇÕES QUANTO A ESCRITURA EM DIVERSOS CONTEXTOS,MAS NENHUM!!!(REPITO:NENHUM!!!!!!!! AFIRMOU QUE UMA É SUPERIOR EM DETRIMENTO DE OUTRA.)

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  6. Você está um pouco equivocado, pois eu não adivinho nada, baseio-me apenas na evidência.

    E como se pode ver a partir dos textos apresentados, para Ireneu a Tradição apostólica era a pregação oral da Igreja da doutrina apostólica, que não era independente nem diferente das doutrinas das Escrituras.

    Ireneu expõe em Adv Haer I, 10, 1-2 o conteúdo da Tradição unânime da Igreja a que se refere:

    1. Fé trinitária em Deus Pai, Filho e Espírito Santo
    2. Encarnação na virgem Maria
    3. Morte, ressurreição e ascensão do Senhor
    4. Parusia ou segunda vinda do Senhor em glória e majestade
    5. Juízo universal
    6. Ressurreição dos santos e vida eterna

    Tudo coisas que as igrejas protestantes hoje crêem.

    Em contrapartida, no resumo dos atos e crenças principais e universais nas Igrejas do seu tempo, Ireneu omite toda a referência a doutrinas distintivas e fundamentais da Igreja de Roma, como por exemplo:

    1. Primazia papal como bispo universal
    2. Autoridade ou potestade da Igreja de Roma sobre outras
    3. Infalibilidade papal
    4. Tradição como fonte de revelação paralela às Escrituras
    5. Purgatório
    6. Sete sacramentos
    7. Virgindade perpétua de Maria
    8. Imaculada conceição
    9. Assunção corporal de Maria
    10. Culto às imagens, a Maria ou aos santos

    O silêncio em relação a todas estas adições por parte de Ireneu é extremamente eloquente.

    Portanto, são as igrejas protestantes e não a Igreja de Roma as que perseveram em proclamar aquilo que o bispo de Lyon considerava a Tradição apostólica e o núcleo da fé sustentada em todos os lugares sem acrescentar doutrinas diferentes.

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  7. Quem se der ao trabalho de ler a obra completa "Adversus Haereses" verá quem estar com a verdade.

    Até o Wikipédia traz a verdade completa sobre a obra Adversus Haereses,portanto,suas demonstrações são desmascaradas por qualquer site informativo que não seja tendencioso.

    Primado do Bispo de Roma

    Depois de afirmar a primazia da Sé de Roma enumera os Bispos de Roma que governaram a Igreja até então:
    "Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo." e depois "Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como Bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado."

    (Contra as heresias - 1.III, 1,12; 2,1´2; 3.1´3; 4,1; P.G. 7, 844ss; S.C.34)

    https://pt.wikipedia.org/wiki/Ireneu_de_Lyon

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    Respostas
    1. Não se percebe o que o apologista católico pretende defender com este texto, que aliás não tem nada a ver com o tema do post nem com a sequência de comentários, e que demonstrações são pretensamente desmascaradas.

      Será o Primado do Bispo de Roma? Se for isso é facilmente refutável, pois Ireneu em nenhum momento menciona o bispo de Roma.

      A Primazia da Sé Romana? Se for isto também fracassa totalmente. Ireneu apenas dá a Igreja da cidade de Roma, como um exemplo entre outras de uma Igreja fiel à doutrina dos apóstolos. Escolhe em particular esta Igreja pela sua antiguidade e pelo seu prestígio (dizia a lenda que tinha sido fundada pelos apóstolos Pedro e Paulo, hoje sabe-se que isto não pode ser verdade).

      Ireneu escrevia contra os gnósticos que entre outras coisas também alegavam ter uma sucessão apostólica pela qual tinham recebido ensinamentos secretos dos apóstolos.

      Como resposta a esta alegação dos gnósticos, Ireneu diz que a sucessão apostólica dos gnósticos é falsa, pois são os bispos das igrejas mais antigas do seu tempo que podem traçar uma linha de sucessão até aos apóstolos e nenhum deles ensinou algo diferente do que ensina o conjunto das igrejas ortodoxas como os ensinamentos secretos dos gnósticos. A lista dos bispos de Roma, que não são considerados «novos Pedros», é portanto um argumento apologético contra os gnósticos.

      Note-se que no século II nas mais antigas igrejas existiam listas de bispos que serviam para unir o presente com o passado apostólico. Não somente Roma, mas também Antioquia, Éfeso e outras sedes episcopais possuíam tais listas. Os historiadores duvidam hoje acerca da exatidão dos dados que essas listas nos dão, pois em algumas igrejas — Roma entre elas — não houve ao princípio bispos no sentido moderno, mas sim um grupo de vários oficiais que recebiam umas vezes o título de “bispos” e outras o de “anciãos”. Mas em todo caso, seja através de bispos ou de outra tipo de oficiais, o fato é que a Igreja do século II podia assim mostrar a sua ligação com os apóstolos, perante as pretensões gnósticas.

      Só mesmo quem está por fora das motivações e do contexto histórico em que foi escrita a obra "Adversus Haereses", e quem ignora a força da soma da evidência histórica oriunda de várias fontes, trocando-a tolamente por um simples parágrafo sem contextualização, e quem pretende respaldar a todo o custo as pretensões da Igreja Romana, é que pode pensar que a primazia papal, como a entende hoje a Igreja de Roma, está presente no pensamento de Ireneu de Lyon em algum momento nesta sua obra.

      Já agora a Wikipédia, e sobretudo a escrita em português, não é uma boa fonte para assuntos ligados a história da Igreja e afins já que foi tomada de assalto por apologistas romanos e os artigos por ela apresentados são altamente parciais e contêm muitas mentiras, algumas das quais chegam a ser mesmo despudoradas.

      Os próximos comentários que revelem uma atitude paranóide da sua parte não serão publicados. Portanto fica desde já avisado, escusa de perder o seu tempo a escrevê-los.

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    2. "No entanto, a primeira lista de bispos, do padre da igreja do século II
      Irineu de Lyon, segundo a qual Pedro e Paulo transferiram o ministério de
      episkopos para um certo Lino, é uma falsificação do século II. Um
      episcopado monárquico pode ser demonstrado para Roma só a partir de meados
      do século II (bispo Aniceto)."

      (A Igreja Católica, Hans Küng, Ed. Objetiva, 2002, p. 49).

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