25 de janeiro de 2026

O NOSSO CORDEIRO PASCAL

 

A Páscoa

3 Dizei a toda a congregação de Israel que, no décimo dia deste mês, cada homem tomará um cordeiro segundo as casas de seus pais, um cordeiro por família. 4 E, se a família for pequena demais para um cordeiro, então ele e o seu vizinho mais próximo o tomarão segundo o número de pessoas; conforme o que cada um puder comer, fareis a contagem para o cordeiro. 5 O vosso cordeiro será sem defeito, macho de um ano; podereis tomá-lo das ovelhas ou das cabras. 6 Guardá-lo-eis até o décimo quarto dia deste mês, quando toda a assembleia da congregação de Israel o imolará ao crepúsculo.

7 “Então tomarão um pouco do sangue e o porão nos dois umbrais e na verga das casas em que o comerem. 11 É a Páscoa do Senhor. 12 Porque naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei todos os primogénitos na terra do Egito, tanto de homens como de animais; e executarei juízos sobre todos os deuses do Egito: Eu sou o Senhor. 13 O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; e, quando eu vir o sangue, passarei por cima de vós, e não haverá praga para vos destruir, quando eu ferir a terra do Egito.

21 Então Moisés chamou todos os anciãos de Israel e disse-lhes: “Ide, escolhei cordeiros para vós segundo as vossas famílias e imolai o cordeiro pascal. 22 Tomai um molho de hissopo, mergulhai-o no sangue que está na bacia e tocai a verga e os dois umbrais com o sangue que está na bacia. Nenhum de vós sairá da porta de sua casa até de manhã. 23 Porque o Senhor passará para ferir os egípcios; e, quando vir o sangue na verga e nos dois umbrais, o Senhor passará por cima da porta e não permitirá que o destruidor entre nas vossas casas para vos ferir” (Êx 12:3–7, 11–13, 21–23).

A Última Ceia

7 Chegou o dia dos Pães Asmos, no qual era necessário sacrificar o cordeiro pascal. 8 Então Jesus enviou Pedro e João, dizendo: “Ide preparar-nos a Páscoa, para que a comamos.”

14 Quando chegou a hora, reclinou-se à mesa, e os apóstolos com ele. 15 E disse-lhes: “Desejei ardentemente comer convosco esta Páscoa antes de padecer. 16 Pois vos digo que não a comerei mais até que se cumpra no reino de Deus.” 17 E, tomando um cálice, tendo dado graças, disse: “Tomai isto e reparti-o entre vós. 18 Pois vos digo que, desde agora, não beberei do fruto da videira até que venha o reino de Deus.” 19 E, tomando pão, tendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.” 20 E, do mesmo modo, o cálice, depois de cear, dizendo: “Este cálice que é derramado por vós é a nova aliança no meu sangue” (Lc 22:7–8, 14–20).

Poucas doutrinas sofreram uma distorção mais sistemática do que a Eucaristia. E isso é irónico, porque o significado real da Eucaristia é transparente e direto.

A Última Ceia baseia-se na Páscoa. Isso não quer dizer que seja idêntica a uma refeição do Seder. Trata-se de uma analogia, que convida à comparação e ao contraste. Como seria de esperar, a Última Ceia tem um significado mais especificamente cristão. O que têm em comum?

i) A Páscoa é uma refeição. Uma refeição comunitária.

ii) A Páscoa ilustra um princípio substitutivo, no qual o cordeiro pascal morre no lugar do primogénito masculino.

iii) Na Páscoa o sangue tem uma função. Não meramente o sangue, mas o sangue derramado.

iv) Embora seja uma refeição, o significado do rito não está em consumir os elementos. O rito pascal não é sobre internalizar a carne e o sangue.

Pelo contrário, o cordeiro é exsanguinado, para evitar o consumo do sangue. O sangue é externo ao celebrante.

O sangue não está dentro dos celebrantes. Pelo contrário, os celebrantes estão dentro das suas casas, enquanto o sangue está pintado na porta. A porta é tanto uma entrada como uma saída. Representa a fronteira entre a casa e o mundo exterior.

O sangue é um “sinal” (v. 13). No rito pascal, pintar a porta com sangue forma uma barreira emblemática, que impede o Destruidor de entrar na casa e matar o primogénito masculino no interior. Trata-se de uma espécie de teatro divino. E uma lição prática.

Portanto, o sangue tem uma função protetora. Ele resguarda o primogénito masculino do juízo divino.

Estes princípios básicos passam para a Última Ceia:

i) O rito retrata a expiação vicária de Cristo. Isso já é claro do seu contexto pascal, mas é reforçado por alusões ao Servo Sofredor (Is 53:6, 10, 12, LXX).

Os elementos são algo diferentes. Há uma ênfase no pão e no vinho, em vez de no cordeiro. Isso porque Jesus tomará o lugar do cordeiro. A refeição pascal original incluía vinho para acompanhar os alimentos sólidos. Mas aquele ritual já tinha sangue literal (o sangue derramado do cordeiro), de modo que não havia necessidade de outro elemento (vinho) para simbolizar o sangue - ao contrário do que ocorre na Última Ceia.

ii) Por analogia com a Páscoa, a Última Ceia não é sobre consumir sangue. Não é sobre internalizar o corpo e o sangue de Cristo.

Pelo contrário, o sangue conserva o seu significado protetor. O vinho representa o sangue derramado de Cristo, antecipando a Crucificação - a poucas horas de distância. O pão representa o corpo de Cristo, prestes a sofrer uma morte violenta, como vítima sacrificial.

O sangue de Cristo protege o cristão do juízo divino. Neste caso, do juízo escatológico (condenação), e não da morte física (a praga dos primogénitos). O sangue de Cristo está “fora” de nós, e não dentro de nós - como uma barreira protetora.

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