Há católicos que adoram e amam a autoridade eclesiástica... até se encontrarem do lado errado do bastão da autoridade que professam amar. Invectivam os evangélicos com perguntas estereotipadas como: "Qual é a tua autoridade para essa interpretação?" ou "Qual é a tua autoridade para o cânon?" (Não há nada de errado em perguntar como os protestantes justificam o cânon ou a sua teologia, mas colocar a questão em termos de autoridade eclesiástica é só uma petição de princípio).
Enquanto a autoridade eclesiástica está do seu lado, só têm elogios à figura do Papa ou à Igreja. No entanto, quando o chão lhes foge debaixo dos pés e se veem do lado perdedor dessa mesma autoridade, a sua paixão pela autoridade papal ou pelo Magistério esfria a temperaturas próximas do zero absoluto.
Assistir a tradicionalistas e católicos progressistas a digladiarem-se é como assistir a uma luta entre fundamentalistas mórmons polígamos e mórmons convencionais. Dentro do paradigma mórmon, ambos os lados estão certos e ambos os lados estão errados. Fora do paradigma mórmon, ambos os lados estão completamente errados.
Com uma hipérbole perdoável, podemos dizer que, para os tradicionalistas, a tradição termina com Pio X, mas para os católicos progressistas, a tradição começa com Pio XII. Os tradicionalistas têm o passado, enquanto os seus adversários têm o futuro. Mas a equipa com o futuro garantido é imbatível. Os líderes vivos têm uma vantagem decisiva sobre os líderes mortos: os vivos podem dominar os mortos, ao passo que os mortos estão mal posicionados para dominar os vivos.
É especialmente irónico ver convertidos a Roma tentarem educar católicos e até mesmo bispos, cardeais e papas sobre o verdadeiro catolicismo. São como quem compra uma casa nova e depois descobre que comprou um monte de problemas: a estrutura está a cair aos pedaços, o telhado precisa de ser substituído e a canalização e a instalação elétrica implodem por todo o lado. Para piorar, o edifício está infestado de ratos e térmitas.

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