15 de janeiro de 2011

«NÃO ADORAMOS, MAS VENERAMOS»? A DIFERENÇA ENTRE DULIA E LATRIA


Quando se faz notar a um católico que só se deve prestar culto a Deus, é frequente ouvi-lo responder que não adoram os santos nem os anjos, mas apenas os veneram (culto de dulia, não de latria), e que a Maria prestam uma veneração superior (culto de hiperdulia).

Esta é uma distinção artificial, carente de fundamento bíblico, que muitos católicos, instruídos pelo seu Magistério, costumam fazer para justificar o culto a diversas entidades diferentes de Deus.

No Novo Testamento, para a adoração, usa-se o verbo grego proskyneö ou o substantivo proskynëtës (adoradores, João 4:23).

A palavra latria deriva do verbo grego latreuō (“servir”), do qual provém latreia (“culto” ou “serviço”, em João 16,2). A palavra dulia, por sua vez, provém do grego doulos (“servo” ou “escravo”). Assim, a latria consiste em prestar culto e a dulia em escravizar-se a alguém. No entanto, em parte alguma da Bíblia se ensina que devamos escravizar-nos aos santos defuntos, aos anjos ou a qualquer outra criatura. Paulo, Tiago, Pedro e Judas declararam-se “servos de Jesus Cristo” e não de algum santo defunto (esclareço isto porque a chamada a sermos servos uns dos outros aqui na Terra é um ensino neotestamentário, mas não se trata, neste caso, de culto). 

Portanto, segundo a doutrina da Igreja de Roma, os seus fiéis “servem” a Deus e são “escravos” dos santos e “superescravos” de Maria (já que a esta é prestada a hiperdulia). Se realmente existe alguma diferença, diria que é a favor de Maria e dos santos.
 

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