Quando se faz notar a um católico que só se deve prestar culto a Deus, é frequente ouvi-lo responder que não adoram os santos nem os anjos, mas apenas os veneram (culto de dulia, não de latria), e que a Maria prestam uma veneração superior (culto de hiperdulia).
Esta é uma distinção artificial, carente de fundamento bíblico, que muitos católicos, instruídos pelo seu Magistério, costumam fazer para justificar o culto a diversas entidades diferentes de Deus.
No Novo Testamento, para a adoração, usa-se o verbo grego proskyneô ou o substantivo proskynêtês (adoradores, João 4:23).
A palavra latria deriva do verbo grego latreuô (“servir”), do qual
provém latreia (“culto” ou
“serviço”, em João 16,2). A palavra dulia, por sua vez, provém do grego doulos (“servo” ou
“escravo”). Assim, a latria
consiste em prestar culto e a dulia em ser escravo de alguém.
Embora o Novo Testamento ordene que os cristãos 'sirvam uns aos outros' em vida através do amor fraternal (Gálatas 5:13), esse serviço mútuo é um dever ético e não um ato de culto.
No plano espiritual e devocional, os escritores do Novo Testamento declaram-se exclusivamente 'servos (douloi) de Jesus Cristo' e de Deus — jamais de anjos ou de santos falecidos. Em nenhum texto bíblico se prescreve ou exemplifica a prestação de servidão devocional (dulia) a criaturas celestiais ou seres humanos glorificados.
Portanto, segundo a doutrina da Igreja de Roma, os seus fiéis “servem” a Deus e são “escravos” dos santos e “superescravos” de Maria (já que a esta é prestada a hiperdulia). Se realmente existe alguma diferença em termos devocionais, diria que é a favor de Maria e dos santos.

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