terça-feira, 17 de julho de 2012

Lutero: “Há tantas seitas e opiniões como cabeças. Este nega o baptismo, aquele crê que há outro mundo no nosso e no dia do juízo. Uns dizem que Jesus Cristo não é Deus; outros dizem o que lhes apetece. Não há rústico ou palerma que não considere inspiração do céu o que não é mais que sonho e alucinação sua.”


Lutero tinha razão, e as suas palavras continuam sendo verdadeiras até hoje. A correcta aplicação do princípio da Sola Scriptura exige responsabilidade, fidelidade, conhecimento e caridade. O facto de se poder abusar dele não o torna menos verdadeiro, do mesmo modo que o facto de alguns homens cometerem delitos não justifica prender todas as pessoas. Abusar da liberdade que Cristo nos deu, como fizeram alguns grupos derivados de Igrejas protestantes, é tão grave como abusar da autoridade do modo em que historicamente o fez e continua fazendo-o a Igreja de Roma.
Os romanistas não cessam de acusar a Reforma do século XVI pela desunião da Igreja universal. No entanto, Roma tinha quebrado a unidade da Igreja universal desde há séculos. Não foi a Reforma o que privou de autoridade a Igreja de Roma. O que a privou de autoridade foi o cúmulo de falsas doutrinas e práticas antibíblicas que foi incorporando paulatinamente, somado ao seu descuido pelas almas e pela crescente corrupção do episcopado, com o papa à cabeça. Quando ocorreu a Reforma, há séculos que os sectores mais lúcidos da Igreja ocidental clamavam por uma reforma radical, “na cabeça e nos membros”. Dada a inveterada contumácia do papado renascentista para ouvir as advertências cada vez mais sérias e generalizadas, o cisma do Ocidente era questão de tempo.

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