O que é o "Problema do Mal"?
O problema intelectual do mal é um argumento que usa a dor e o sofrimento para concluir que a existência de Deus é improvável ou impossível. O argumento geralmente possui três premissas e uma conclusão:
Premissa 1: Um ser perfeitamente poderoso pode prevenir qualquer mal.
Premissa 2: Um ser perfeitamente bom preveniria o mal tanto quanto pudesse.
Premissa 3: Deus é perfeitamente poderoso e perfeitamente bom.
Conclusão: Se esse Deus existisse, não haveria mal. Como o mal existe, esse Deus não existe.
Também é
importante distinguir o problema intelectual do problema existencial/emocional.
O existencial foca em "Como posso suportar isso?", enquanto aqui foco
na apologética: "O mal é um bom argumento contra Deus?".
Esta na
verdade é a crítica número um dos ateus. Mas também afeta quem já é cristão e se
depara com este dilema.
Em lógica, pode
atacar-se um argumento de duas formas:
i) Estrutura: Quando as premissas não levam à conclusão (ex: "Não gosto de pessoas
da igreja, logo Deus não existe" — a lógica é falha).
ii) Conteúdo: Quando as premissas em si são questionáveis.
O problema do mal tem uma estrutura lógica perfeita. Se as três premissas forem verdadeiras, a conclusão é inevitável. Por isso, como cristãos, devemos focar no conteúdo, especificamente na Premissa 2.
A Teodiceia do "Bem Maior"
O argumento
do "bem maior” desafia a ideia de que um ser perfeitamente bom sempre
impediria o mal. E se Deus tiver uma razão perfeitamente boa para permitir o
mal? A teodiceia (justificação de Deus) do bem maior diz que o mal desempenha
um papel necessário para alcançar bens que não seriam possíveis sem ele.
Eles podem dividir-se em quatro tipos:
i) Manifestação da Justiça: Deus demonstra a sua justiça ao punir
o pecado.
ii) Construção
da Alma: Deus molda o
nosso caráter através das provações.
iii) Megafone
de Deus: (Termo de
C.S. Lewis) A dor desperta quem está espiritualmente indiferente.
iv) Bens de
Ordem Superior: O mal permite que virtudes como coragem e compaixão existam.
Os Três "Js": Jó, José e Jesus
Quais considerações
bíblicas apoiam esta abordagem?
Ao estudar
as histórias de Jó, José e Jesus, se percebe três temas interligados que
sustentam o "bem maior":
i) A Bondade
do Propósito de Deus: Em Jó, a
vindicação de Seu nome; em José, a preservação de Israel; em Jesus, a salvação
do mundo.
ii) A
Soberania da Providência: Deus usa o mal (os sofrimentos de Jó, a traição dos irmãos de José, a cruz
de Cristo) como meio para esses fins gloriosos.
iii) A
Inescrutabilidade dos Caminhos de Deus: Frequentemente, Deus nos deixa no escuro. Quem
estivesse assistindo à crucificação não teria ideia de que aquele
"mal" era o maior "bem" da história.
Causalidade Primária e Secundária
A explicação da relação entre Deus e o
mal e a distinção entre causas primárias e secundárias, costuma ser um ponto difícil. A Bíblia mostra que a intenção de Deus está acima das escolhas
das criaturas, sem anular a responsabilidade delas. O versículo chave é Génesis
50:20: "Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para
bem".
i) Causa
Secundária: O agente
humano que comete o pecado com intenção maligna (ex: os irmãos de José). Eles
são responsáveis.
ii) Causa
Primária: Deus, que
ordena que o evento ocorra, mas com uma intenção santa e boa.
Não é pecado ordenar que o pecado exista para um fim maior. Deus não é o "agente" que pratica o mal na Terra, mas é o Soberano que o utiliza.
Objeções Comuns
Como responder à ideia de que "os fins não justificam os meios"?
O lema "os fins não justificam os meios" não deve ser encarado de uma forma absolutista. Em certas situações, na verdade, "os fins justificam os meios".
Paulo responde a isto em Romanos 3:8. Onde abundou o pecado, superabundou a graça. Sem pecado, não há a manifestação da graça de Deus, mas nós não podemos fazer o mal para que venha o bem porque a nossa sabedoria é limitada. Mas Deus, como Criador, tem o direito e o conhecimento perfeito para ordenar o sofrimento visando um bem maior e eterno.
O terreno comum para todos os cristãos é a Cruz. Se concordamos que Deus planeou o maior mal (a morte de Seu Filho) para o maior bem (a nossa redenção), podemos confiar nEle em todos os outros sofrimentos inescrutáveis.

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