3 de dezembro de 2021

O CÂNON CATÓLICO

 

Os apologistas católicos consideram o cânon protestante um calcanhar de Aquiles da teologia protestante. Sendo o cânon um problema legítimo, ele aplica-se a ambos os lados. Mas afinal, o que dizer do cânon católico?

Qual é a base do cânon tridentino? É a evidência? Seria a evidência suficiente para favorecer o cânon tridentino?

Contudo, católicos e protestantes têm acesso à mesma evidência. Não é como se os Padres Tridentinos tivessem uma coleção extra de evidências nos arquivos secretos do Vaticano que inclinasse a balança a favor do cânon tridentino. Os protestantes dispõem de exatamente os mesmos dados que os católicos.

Ou é a alegação de que a evidência é inconclusiva, devendo por isso ser suplementada pela autoridade de Roma? O cânon tridentino goza de um nível de certeza que vai além da evidência, devido à autoridade eclesiástica. De acordo com esse paradigma, a pura autoridade eclesiástica é o contrapeso que preenche a lacuna entre a evidência e a certeza.

Mas, nesse caso, a certeza dissocia-se da evidência. Poderia haver certeza direta sem qualquer suporte empírico ou documental — certeza por puro decreto eclesiástico. No entanto, os apologistas católicos normalmente defendem o cânon tridentino com base na evidência, tal como a interpretam.

Se, por um lado, a evidência é suficiente para estabelecer o cânon, então o magistério é supérfluo. Se, por outro lado, a evidência é insuficiente para estabelecer o cânon, a autoridade eclesiástica invoca a certeza do nada, sem qualquer fundamento correspondente para a apoiar. Eis o dilema

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