Embora a Igreja de Roma conte como Concílios ecuménicos os convocados pelo papa depois do grande cisma entre a Igreja do Ocidente e as do Oriente (século XI), a verdade é que o título lhes fica muito grande. A partir do I Concílio de Latrão, e até ao Vaticano II inclusive, são concílios católicos romanos.
Além disso, apesar de na Igreja de Roma só o papa poder convocar um Concílio - ecuménico -, os concílios da antiguidade foram convocados pelos imperadores, os quais não necessitavam da autorização de nenhum bispo, nem mesmo do de Roma. Inclusive houve um concílio contra a vontade expressa do bispo romano - o Concílio II de Constantinopla de 553.
Também não é verdade que a sanção papal se exigisse imprescindivelmente para que as decisões de um concílio ecuménico fossem válidas. Na realidade, um concílio antigo condenou como herege um bispo de Roma (Honório).
Certamente que o assentimento do bispo de Roma era importante, visto que Roma era a principal sede do Ocidente. Mas a validade dependia do consenso dos bispos participantes.
Eu penso que o sistema conciliar dos séculos IV ao VII produziu esclarecimentos muito importantes em teologia cristã. Em vez de invocar algum iluminado "infalível" os bispos debatiam e tentavam chegar a decisões consensuais.
Porém, lamentavelmente, as decisões conciliares não estiveram completamente livres das vicissitudes da política, inclusive da política eclesiástica (luta de poder entre a igreja de Roma e as do Oriente, em particular Bizâncio).
Esta atividade profundamente carnal causou uma decadência do sistema que chegou ao seu auge quando em 787 no II Concílio de Niceia a liderança cristã de então (sob a autoridade imperial) sustentou como lícito e proveitoso o abominável culto às imagens.
Depois veio o grande cisma, e os concílios "ecuménicos" se transformaram em concílios Romanos que, desde Latrão ao Vaticano II, moldaram a doutrina e a prática da instituição vaticana.
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