i) Não tenho problemas com concílios eclesiásticos. Não há nada de errado em representantes cristãos se reunirem para produzir uma declaração conjunta que expresse não apenas as suas crenças individuais, mas as suas crenças partilhadas. Uma declaração pública de fé comum pode ser muito útil de várias formas. Mas, de uma perspetiva protestante consistente, um concílio não torna uma doutrina verdadeira; pelo contrário, a doutrina verdadeira é que torna um concílio verdadeiro. Nas palavras clássicas da Confissão de Westminster:
“O juiz supremo, pelo qual todas as controvérsias
religiosas têm de ser determinadas e por quem serão examinados todos os
decretos de concílios, opiniões de antigos escritores, doutrinas de homens e
espíritos particulares, e em cuja sentença devemos descansar, não pode ser
outro senão o Espírito Santo falando na Escritura” (CFW 1.10).
ii) Alguns protestantes, sobretudo tradicionalistas da chamada “High Church”, defendem a Sola Scriptura apenas "da boca para fora", quando postos à prova, parecem inseguros quanto aos seus compromissos fundamentais. Alguns agem como se Deus tivesse aberto uma exceção temporária à Sola Scriptura ao inspirar "concílios ecuménicos" nos primeiros 500 anos da história da igreja. Mas se as declarações destes concílios são recebidas como oráculos divinos, e não se admite a possibilidade, em princípio, de que estes concílios possam estar errados em algum ponto particular, então não se está a operar com uma epistemologia protestante consistente. Está-se a ficar em cima do muro.

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