sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Orígenes ensinou a virgindade perpétua de Maria?

 
Eis aqui o que diz Orígenes no seu Comentário sobre João:

Pois se Maria, como declaram os que com mente íntegra a louvam, não teve outro filho senão Jesus, e mesmo assim Jesus diz à sua mãe, "Mulher, eis aqui o teu filho" e não "Eis aqui, também tens este filho", então virtualmente disse a ela, "Eis aqui, este é Jesus, a quem tu pariste".

Apesar da sua alta estima pela virgindade como virtude, Orígenes em nenhuma parte dos seus escritos conservados fala da perpétua virgindade de Maria. O que ele acreditava como opinião piedosa é que Jesus não tinha tido mais irmãos (o que não nos diz palavra acerca da virgindade durante ou depois do parto).

O mariólogo jesuíta, Philip J. Donnelly, diz:

Mas parece ser que Orígenes não viu a ligação entre o que agora chamamos virgindade in partu e virgindade post partum; a primeira não lhe era desconhecida: no seu comentário à epístola a Tito deparou-se com o problema e rejeitou o parto virginal.

Nenhuma indicação de atitude distinta encontramos nos textos, realmente autênticos, de Orígenes; nas suas homilias sobre o Evangelho de São Lucas, traduzidas por São Jerónimo, expressou-se em termos incompatíveis com a virgindade de Maria in partu.

(Mariología, Ed. J.E. Carol. Trad. Cast. Madrid: BAC, 1964, p. 658-659).

O que Orígenes pensava era que Maria não teve relações sexuais com José, e "as suas resoluções inspiram-se nas opiniões de certos ascetas contemporâneos que levavam vida de virgindade consagrada; professavam eles que era impossível e inconcebível que Maria se submetesse a homem algum depois de ter concebido por obra do altíssimo" (ibid).
Portanto, a doutrina de Orígenes não era equivalente à actual doutrina católica da "virgindade perpétua". Explicitamente exclui a virgindade durante o parto, que a Igreja Católica afirma.

6 comentários:

  1. Todos os santos da igreja praticavam a caridade, desejaram a pobreza material, algum tipo de penitência e devoção à Nossa Senhora. Todos.
    A isto, chamamos fruto. Estes são os frutos por terem vivido o Evangelho na sua plenitude. Muitos milagres acompanharam estes santos. Por exemplo, corpos incorruptos pos morte.
    Você tem algum exemplo assim em qualquer outra igreja?
    Um só. Você conhece?

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  2. Agradeço a este blog confirmar que a Igreja católica é aquela da frase "e as portas do inferno não prevalescerão contra ELA". Ela. Singular. Somente uma.
    Para atender a esta profecia, somente UMA precisa ser atacada e é a Igreja católica apostólica romana.
    Não vemos ninguém atacar doutrina batista, luterana, assembleiana, presbiteriana...........
    Doutrinas de somente UMA igreja: aquela que Jesus fundou e vem edificando até hoje.
    Mais uma vez, obrigado por me garantir que estou no lugar certo.

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  3. Prezado carogus,
    S. Pedro, declarado o primeiro Papa.
    S. Paulo, declarado o maior doutrinador da Igreja de Cristo
    E todos os outros Apóstolos, em nenhum momento iniciaram doutrinas que exaltam o nome da Mãe do Senhor.

    E outra, é muito triste ver como os católicos desvalorizam completamente o real significado da palavra "católica". Se somente a Igreja de Roma é a Igreja de Cristo, como fica a Igreja Ortodoxa? A Igreja Copta? Os judeus messiânicos?

    Parabéns ao autor do blog pelas informações extremamente ricas e valiosas pelo bem do Evangelho!

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    Respostas
    1. Marcelo,

      Sabe, por curiosidade, quem foram os primeiros a iniciar o culto a Maria?

      Os Gnósticos. Isso mesmo. Há evidência que já no Século II algumas seitas gnósticas praticavam o culto a Maria.

      Uma coisa que se pode constatar, é que há muitas doutrinas da atual Igreja Católica Romana, que têm as suas raízes no gnosticismo, por exemplo:

      - O culto a Maria, como já referido os gnósticos foram os primeiros a praticá-lo.

      - Os dogmas marianos têm todos as suas raízes nos evangelhos apócrifos que são de origem gnóstica.

      - O culto às imagens (Ireneu refere como característica das seitas gnósticas o fato de fazerem imagens e levá-las em procissão), embora a influência direta e decisiva desta doutrina tenha sido a entrada de massas de pagãos do Império Romano na Igreja.

      - A sucessão apostólica, os gnósticos afirmavam ter uma sucessão apostólica, não entendida como uma sucessão doutrinal, mas como uma sucessão de iniciados/bispos.

      - A tradição oral apostólica como outra fonte de revelação.

      Tudo isto são doutrinas atuais da Igreja de Roma que foram perfilhadas em primeiro lugar pelas seitas gnósticas.

      Uma explicação para isto pode estar no fato de que, como a verdadeira fonte das doutrinas romanas é a religiosidade popular, e tem tendência para absorver quase tudo, não é de admirar que também tenha adotado ou sofrido influência de doutrinas cuja real origem está no gnosticismo.

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    2. A constatação de que há uma relação de semelhança entre gnosticismo e catolicismo romano não é só minha. Não estou a inventar nada.

      Há autores que já escreveram sobre isto,

      Para quem quiser se documentar e aprofundar mais no tema aqui fica um apontamento interessante:

      http://turretinfan.blogspot.pt/2011/07/gnosticism-hermeneutics-and-rome.html

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    3. Agradeço gentilmente por mais uma informação valiosa!

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