quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Que segurança tenho de que a Bíblia é a palavra de Deus? O que me assegura que isso seja verdade? Como comprovar que é a palavra de Deus? São confiáveis as epístolas?


Tentarei responder ao que perguntas.
Pela forma de redigir a primeira pergunta suponho que admites graus de segurança. Se isto for correcto, então a minha resposta seria como se segue:
A segurança absoluta, ou certeza, de que a Bíblia é a Palavra de Deus, somente pode tê-la quem creu em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador.
Quem deseja fazer a vontade de Deus sabe que a sua Palavra é verdade (João 7:16-17). O Espírito Santo de Deus dá testemunho aos nossos espíritos de que somos filhos de Deus (Gálatas 3:26; 4:6; Romanos 8:15-16) e o mesmo Espírito nos guia a toda verdade (1 João 2:20-27) acerca do testemunho que Deus mesmo dá (1 João 5:6-10) e de que Ele falou através da Escritura (2 Timóteo 3:15-16; 2 Pedro 1:20-21).
Esta certeza de que falo é um facto na experiência de todos os verdadeiros cristãos, e não requer por si mais evidência. No entanto, muitos factos acerca da Bíblia servem como corroboração ou confirmação da sua fé.
Estes mesmos factos, que enumero brevemente abaixo, não são por si mesmos suficientes para dar o mesmo tipo de segurança a uma pessoa que não é cristã. No entanto, lhe permitem comprovar que a Bíblia no seu conjunto é um documento confiável e portanto os seus ensinamentos devem levar-se a sério.
Entre as principais razões, menciono:
A. Consistência interna. Apesar de ter sido escrita num longo intervalo, em diferentes lugares e por pessoas de condição diferente, a Bíblia possui uma coerência notável nos seus ensinamentos acerca de Deus, do homem e da salvação. Nas suas páginas pode notar-se um progresso tanto na revelação como na obra de salvação.
B. Ensinamentos. Se mais pessoas obedecessem aos ensinamentos da Bíblia não cabe dúvida que este mundo seria um melhor lugar para todos.
C. Profecia preditiva cumprida. A Bíblia contém muitas profecias cujo cumprimento está registado na história. Há outras que ainda não se cumpriram, mas a fidelidade das predições anteriores nos levam a crer que tudo será cumprido.
D. Milagres. Muitos milagres bíblicos foram corroborados mesmo por testemunhas hostis. Notavelmente, na Bíblia os milagres estão concentrados em três épocas cruciais: o tempo do Êxodo, o dos profetas do século IX, e o de Jesus e dos Apóstolos. Os maiores milagres são, desde logo, a encarnação de nosso Senhor e a sua ressurreição.

D. Confiabilidade histórica. Tanto documentos extra-bíblicos como a arqueologia fazem pensar que a história que a Bíblia narra é correcta. Ainda que existam lacunas (como em outras áreas do conhecimento da antiguidade) nenhuma das afirmações históricas da Bíblia foi refutada com êxito.
E. Transmissão e conservação providencial do texto bíblico. Tanto o texto hebraico do Antigo Testamento como o texto grego do Novo Testamento foi preservado com notável exactidão em comparação com qualquer outro documento antigo.
F. Resultados nas vidas transformadas daqueles que puseram a sua fé em Cristo e seguem os ensinamentos da Bíblia. Numa ocasião um mestre cristão foi confrontado por um ateu militante que proclamava que o homem melhorava quando rejeitava a religião e admitia a inexistência de Deus. Sem hesitar, o pastor lhe respondeu que com gosto traria no dia seguinte cem pessoas cujas vidas tinham sido transformadas para melhor pelo Evangelho, desde que o seu interlocutor se comprometesse a trazer outras tantas pessoas cujas vidas tivessem sido mudadas para melhor pelo ateísmo... ou pelo menos dez. Obviamente isso não ocorreu.
As epístolas do Novo Testamento são em geral tão confiáveis como o resto dos seus documentos e contêm aspectos muito importantes do ensinamento apostólico.
Voltando ao tema da comprovação, como já sugeri, toda a evidência esboçada não chega para obter certeza, do mesmo modo que a proporcionaria um teorema matemático bem formulado. Na verdade, jamais poderás ter certeza se não fores cristão.
Se isto te parece uma exigência injusta, considera o que ocorre em outras ordens da vida. Por exemplo, suponhamos que desejo aceder a um cofre de segurança para ver se tem certa documentação. Alguém me fornece a chave, mas não sei se verdadeiramente funciona. Nem se a documentação que procuro está lá. Tenho de introduzir a chave, tenho de entrar e abrir o cofre, e tenho de examinar o seu conteúdo; mas só posso fazê-lo adequadamente quando estiver dentro. Claro está que poderia enviar alguém para fazê-lo por mim, mas neste caso, teria de confiar no testemunho de quem enviei em vez de comprová-lo por mim mesmo. O grau de certeza dependeria da confiança que tenha na minha testemunha, mas virtualmente nunca será igual ao de uma comprovação directa.

Ou suponhamos que aprendes perfeitamente a teoria da condução de automóveis, da natação ou do salto em pára-quedas... Somente poderás ter certeza de que o sabes fazer quando o puseres em prática por ti mesmo.


Espero que estas reflexões te ajudem na tua busca.

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