4 de junho de 2026

DIA DO CORPO DE DEUS


Hoje é feriado nacional e festeja-se o dia do Corpo de Deus (Corpus Christi). Festeja-se, portanto, uma absurdidade. 

Deus não tem corpo. Quem tem corpo é a pessoa de Jesus Cristo, segundo a sua natureza humana. “Deus” denota a natureza divina, e uma das propriedades da natureza divina é a imaterialidade; portanto, não pode possuir um corpo humano material. Misturar as duas naturezas, atribuindo propriedades próprias de uma natureza à outra, anula a dupla natureza humana e divina de Cristo, transformando-o num ser híbrido que não é humano nem divino. Uma heresia cristológica, portanto.

Continuação de um bom feriado, o único em que, além de se suspender o trabalho, se suspendem também as leis da lógica.

2 de junho de 2026

ENCARNAÇÃO E REENCARNAÇÃO

 

Na cristologia tradicional, a Encarnação sobrevive à morte de Cristo. Isto acontece porque a cristologia tradicional possui uma antropologia dualista. A Encarnação envolve a união do Filho Eterno com um corpo e uma alma humanos. Para citar uma formulação clássica: "criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais" (WCF 4.2).

Assim, mesmo na morte, a união hipostática permanece intacta, na medida em que o Filho permanece unido a uma alma humana.

Contudo, se o aniquilacionismo for verdadeiro, então a morte de Cristo dissolve a união hipostática. Não que o Filho tenha deixado de existir, mas o Jesus homem deixou de existir no momento da morte. 

O aniquilacionismo está logicamente baseado no fisicalismo. A consciência ou a personalidade não podem sobreviver à morte cerebral, pois a mente é gerada pelo cérebro. Inversamente, a imortalidade está indexada à ressurreição do corpo. Não existe um estado intermediário.

Isto exige que a Ressurreição não seja meramente a restauração de um corpo, mas uma reencarnação. A Encarnação ocorre duas vezes: na concepção e, novamente, no primeiro Domingo de Páscoa.

Se isso é ortodoxo ou não, é uma questão interessante. É surpreendentemente semelhante ao Budismo, com a sua versão de reencarnação sem alma (anatta).