28 de maio de 2011

CONCÍLIOS ECUMÉNICOS VS. CONCÍLIOS CATÓLICOS ROMANOS


Embora, a Igreja de Roma, conte como concílios ecuménicos os convocados pelo Papa depois do grande cisma entre a Igreja do Ocidente e as do Oriente (século XI), a verdade é que o título lhes fica muito grande. A partir do I Concílio de Latrão, e até ao Vaticano II inclusive, são concílios católicos romanos.

Além disso, apesar de na Igreja de Roma só o Papa poder convocar um concílio ecuménico, os concílios da Antiguidade foram convocados pelos imperadores, os quais não necessitavam da autorização de nenhum bispo, nem mesmo do de Roma. Houve, inclusive, um concílio contra a vontade expressa do bispo romano: o II Concílio de Constantinopla (553).

Também não é verdade que a sanção papal fosse exigida imprescindivelmente para que as decisões de um concílio ecuménico fossem válidas. Na realidade, um concílio antigo condenou, como herege, um bispo de Roma: Honório I.

Certamente que o assentimento do bispo de Roma era importante, visto que Roma era a principal sede do Ocidente; mas a validade dependia do consenso dos bispos participantes.

Creio que o sistema conciliar dos séculos IV ao VII produziu esclarecimentos muito importantes na teologia cristã. Em vez de invocarem algum "iluminado" infalível, os bispos debatiam e tentavam chegar a decisões consensuais.

Porém, lamentavelmente, as decisões conciliares não estiveram completamente livres das vicissitudes da política, inclusive da política eclesiástica (a luta de poder entre a Igreja de Roma e as Igrejas do Oriente, em particular Bizâncio).

Esta atividade profundamente carnal causou uma decadência do sistema, que chegou ao seu auge quando, em 787, no II Concílio de Niceia, a liderança cristã de então (sob a autoridade imperial) sustentou como lícito e proveitoso o abominável culto às imagens.

Depois veio o grande cisma, e os concílios "ecuménicos" transformaram-se em concílios romanos que, desde Latrão ao Vaticano II, moldaram a doutrina e a prática da instituição vaticana.

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