domingo, 23 de junho de 2013

As falsas premissas em que se baseia o papado


A pretensa base bíblica de todas as doutrinas da primazia de jurisdição e da infalibilidade papais, fundamento da hierarquia vaticana, se baseia em três textos:
Mateus 16:18ss
Lucas 22:31-32
João 21:15-17
e numa série de pressuposições:
1. Que em virtude destas palavras do Senhor, Pedro foi colocado acima dos demais apóstolos, quando na realidade também em seu momento foi colocado abaixo (Mateus 16:23; Lucas 22:33-34). [1]
2. Que Pedro foi o primeiro bispo de Roma (falso) [2]
3. Que pessoalmente designou o seu sucessor (falso como consequência do anterior) [3]
4. Que tal sucessor recebeu todas as prerrogativas de autoridade que Pedro teve (infundado) [4]
5. Que tais prerrogativas constituem o bispo de Roma em chefe da Igreja universal (falso e por completo desconhecido nos três primeiros séculos do cristianismo). [5]
6. Que tal prerrogativa inclui o dom da infalibilidade sob determinadas condições (ideia totalmente desconhecida pela Igreja durante muitos séculos, mesmo no Ocidente).
7. Que não somente o bispo que supostamente sucedeu a Pedro, mas também os seus próprios sucessores na sede episcopal romana, tivessem idênticos privilégios sem importar a sua santidade de vida (ideia alheia às Escrituras). [6]
8. Que a chamada «sucessão apostólica» não tem a ver com a forma da sua eleição (já que diferentes bispos de Roma deveram o seu cargo a voto popular, nomeação "a dedo" pelo imperador, usurpação, nomeação por um concílio ou eleição cardinalícia).
Não é, pois, uma premissa falsa, mas um conjunto de falsidades, cada uma das quais seria por si mesma suficiente para negar ao Sr. bispo de Roma a autoridade que reclama para si.
Notas

[1] A condição de Pedro aos olhos do Senhor sofreu altos e baixos em relação directa com a sua resposta à missão encomendada.

[2] Como já mostrado, embora a evidência de que Pedro morreu em Roma seja razoavelmente convincente, não ocorre a mesma coisa com a sua condição de bispo monárquico dessa cidade. Por um lado, porque não há evidência de episcopado monárquico na Igreja senão em finais do primeiro século ou começos do segundo, e em Roma em particular antes de meados do século II, e por outro porque todos os dados disponíveis indicam que a Igreja romana tinha já um tempo mais que considerável de existência na época em que Pedro pode tê-la visitado.

Ora, se não existe certeza, nem sequer uma razoável probabilidade, de que Pedro tenha sido bispo de Roma, qualquer suposto privilégio que os bispos de tal cidade pudessem ter como "sucessores de Pedro" carece de fundamento sólido.


[3] Além disso, ainda está por demonstrar que o ofício apostólico tal como foi dado aos Doze e a Paulo, fosse transferível.

[4] No Novo Testamento, embora nada impedisse que um Apóstolo fosse também um presbítero, o ofício apostólico e o de ancião (presbítero) ou bispo (epíscopo) são claramente diferenciados. Também o diz Inácio que, sendo bispo de Antioquia da Síria, diferencia claramente a sua própria autoridade da de Pedro e Paulo (mesmo quando ambos os Apóstolos tinham ministrado nessa congregação). Também o diz Clemente de Roma, quando também diferencia entre os Apóstolos e os "inspectores e ministros" que eles estabeleceram.

[5] Durante os três primeiros séculos de existência da Igreja cristã nenhum escritor atribuiu a autoridade de Pedro de maneira pessoal e unívoca ao bispo de Roma.

O catolicismo é conhecido por apelar à Tradição quando não lhe chegam as Escrituras, mas ocorre que neste tema, mais valia nem sequer nomear a palavra “tradição” porque certamente não o ajudará; antes pelo contrário. A tradição antiga (pré-nicena) reconhece repetidamente a autoridade de Pedro, mas de modo algum tem o bispo de Roma como o único autêntico e legítimo sucessor do Apóstolo.

[6] Por exemplo, Sérgio III, João XII ou Alexandre VI, foram moralmente dissolutos, no entanto os romanistas os exibem com orgulho nas suas listas de “sucessores de Pedro”.

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