domingo, 3 de fevereiro de 2013

Sobre a canonização de “santos”


A Escritura chama "santos" a todos os crentes. É anti-bíblico distinguir como "santo" um cristão em particular, por mais destacado que seja ou tenha sido. Isso não invalida que tenha havido crentes que pela sua pureza, devoção e serviço sejam naturalmente exemplos para todos.

Desde tempo antigo os mártires, aqueles que defenderam a sua fé até à morte, foram venerados, atitude que mais tarde se estendeu aos confessores (os que sofreram pela fé mas não foram assassinados).

No entanto, o reconhecimento da valia particular de determinados cristãos não foi uma questão de reconhecimento oficial por quase um milénio. Com efeito, a primeira canonização de que se tem notícia é a de Ulrico de Augsburgo pelo papa João XV em 993.

Um par de séculos mais tarde, outro papa, Alexandre III, escreveu ao rei da Suécia que ninguém devia ser venerado como santo sem a autoridade da Igreja Católica. Esta declaração passou a fazer parte do Direito Canónico.

Não foi senão no século XVIII que Prospero Lorenzo Lambertini, desde 1740 conhecido como Bento XIV, publicou o tratado clássico sobre a canonização (De servorum Dei beatificatione et beatorum canonizatione, Bologna 1734-1738).

Tal como é praticada hoje, a canonização romanista compreende um longo processo legal não isento de burocracia.

A canonização de um crente lhe confere:

1. Reconhecimento público, já que o seu nome é inscrito na lista de santos.

2. Pode ser invocado nas orações públicas na igreja.

3. Podem dedicar-se templos à sua memória.

4. Podem-se oferecer missas em sua honra.

5. Celebra-se um festival anual em memória do santo.

6. Executam-se representações artísticas nas quais o santo aparece rodeado por uma gloriosa luz celestial.

7. Os restos do santo são conservados cuidadosamente e recebem honra pública.

Todo o assunto aparece como uma repugnante exaltação de pessoas, as mais dignas das quais seriam as primeiras a opor-se a semelhante coisa.

A profusão de "santos oficiais" sustenta e promove o culto às imagens e a invocação de defuntos, ambas as coisas censuradas severamente pelas Escrituras.

Finalmente, deve notar-se que os supostos critérios de canonização, por mais estritos que sejam, não passam de ser provas engendradas pelo homem de costas para as Escrituras. Nem o papa nem ninguém pode saber de ciência certa - a não ser por revelação - que alguém efectivamente está no céu. Portanto, as exigências romanistas não garantem absolutamente nada, excepto a construção de algo que se não é um panteão, se parece bastante com ele.

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