domingo, 10 de junho de 2012

Pontos de vista de alguns padres da Igreja sobre o baptismo


Entre os Padres ante-nicenos, (pseudo) Barnabé fala do baptismo como uma purificação para os que puseram a sua confiança na cruz.
Justino Mártir menciona que podemos obter «na água a remissão de pecados» quando é pronunciado «sobre quem escolhe ser nascido de novo e se arrependeu dos seus pecados» o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Em outro lado Justino fala do baptismo como de água da vida, capaz de purificar a alma, comparando-o com «o baptismo que somente limpa a carne e o corpo». E também diz que Cristo nos redimiu sendo crucificado no madeiro e purificando-nos com água.
Teófilo fala do baptismo como «um sinal de homens destinados a receber arrependimento e remissão de pecados, através da água e lavagem da regeneração - tantos quantos venham à verdade e nasçam de novo».
Ireneu pergunta, quando trazemos a imagem do Celestial? E responde: «Sem dúvida quando Ele diz, "Haveis sido lavados", crendo no nome do Senhor».
Em outro lado compara o baptismo com a lavagem de Naamã o sírio, e toma-o como um símbolo para nós, que somos leprosos em pecados. Somos, diz, «limpos das nossas velhas transgressões por meio da água sagrada e da invocação do Senhor», e cita João 3:5.
Clemente de Alexandria afirma que «nos arrependemos dos nossos pecados, renunciamos às nossas iniquidades, e somos purificados pelo baptismo».
Tertuliano tem várias passagens que sugeririam uma regeneração baptismal, mas também diz claramente: «Não somos lavados para que possamos cessar de pecar, mas porque cessámos, já que no coração já fomos lavados. Pois o primeiro baptismo do crente é este: um perfeito temor...».
Hipólito compara a Igreja com um barco, e diz que a rede que traz é «o banho da regeneração que renova os que crêem ... Como o vento, o Espírito que vem do céu está presente, por quem aqueles que crêem são selados».
Orígenes nota que o benefício do baptismo «está ligado com a intenção da pessoa baptizada. Para quem se arrepende, é salvador. No entanto, para quem vem a ele sem arrependimento, produzirá maior condenação».
Entre os Padres do século III, é Cipriano quem apresenta mais claramente a posição da regeneração baptismal, embora também Vitorino e Metódio se expressem nesta direcção. No entanto, não o entendem no sentido ex opere operato (em virtude do próprio acto) como o ensina a Igreja Católica. [1]
Em finais do seguinte século, as Constituições Apostólicas sustentam que quando os pagãos se arrependem são recebidos na Igreja, mas não são admitidos à comunhão «até terem recebido o selo do baptismo e se tornado cristãos completos».

[1] A formulação da eficácia sacramental como ex opere operatum, em virtude do próprio acto realizado, em lugar de opus operans, a acção subjectiva ou opus operantis, em virtude da disposição subjectiva de quem recebe o sacramento, é um legado da escolástica (a partir de finais do século XII). A doutrina foi afirmada dogmaticamente no Concílio de Trento, na sua Sétima Sessão de 3 de Março de 1547.  

7 comentários:

  1. Estimado Blogueiro!

    Gostaria,se puder, das referências das citações!Poderíamos evitar que os romanistas nos acusassem de falsificação intelectual de documentos e também ficaria muito melhor para fins didáticos!

    E também daria mais segurança documental aos argumentos!

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  2. Olhar Crítico,

    O Protestantismo durante a Reforma no século XV inventou que o Batismo não pode ser ministrado às crianças. Esta novidade foi introduzida pelos Anabatistas. Note que os primeros protestantes (Luteranos, Presbiterianos, Calvinista e Anglicanos), guardam até hoje o batismo de crianças.

    "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais, porque o Reino de Deus é daqueles que se parecem com elas" (Lc 18,16).

    Testemunhos primitivos.

    "Ele (Jesus) veio para salvar a todos através dele mesmo, isto é, a todos que através dele são renascidos em Deus: bebês, crianças, jovens e adultos. Portanto, ele passa através de toda idade, torna-se um bebê para um bebê, santificando os bebês; uma criança para as crianças, santificando-as nessa idade...(e assim por diante); ele pode ser o mestre perfeito em todas as coisas, perfeito não somente manifestando a verdade, perfeito também com respeito a cada idade" (Santo Irineu, ano 189 - Contra Heresias II,22,4).

    "Onde não há escassez de água, a água corrente deve passar pela fonte batismal ou ser derramada por cima; mas se a água é escassa, seja em situação constante, seja em determinadas ocasiões, então se use qualquer água disponível. Dispa-se-lhes de suas roupas, batize-se primeiro as crianças, e se elas podem falar, deixe-as falar. Se não, que seus pais ou outros parentes falem por elas" (Hipólito, ano 215 - Tradição Apostólica 21,16).

    "A Igreja recebeu dos apóstolos a tradição de dar Batismo mesmo às crianças. Os apóstolos, aos quais foi dado os segredos dos divinos sacramentos sabiam que havia em cada pessoa inclinações inatas do pecado (original), que deviam ser lavadas pela água e pelo Espírito" (Orígenes, ano 248 - Comentários sobre a Epístola aos Romanos 5:9)

    "Do batismo e da graça não devemos afastar as crianças" (São Cipriano, ano 248 - Carta a Fido).

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  3. A citação de Origenes apresentada pelo apologista católico não é autêntica.

    É tirada da tradução de Rufino das obras de Origenes que está cheia de cortes, interpolações e adições. De modo que não é confiável.

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  4. Blog Conhecereis a Verdade,

    Põe então a citação verdadeira e ,por favor,apologista católico,traga aqui as citações patrísticas dos sites de pesquisa(ccel,new advent church fathers...) e não de sites farsantes!

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  5. Não existe citação verdadeira porque o original da obra de Orígenes perdeu-se. O que existe é a tradução de Rufino que não é confiável por estar cheia de interpolações.

    Ora comparando essa citação da tradução de Rufino com outros textos originais de Origenes em que ele fala do Batismo, como por exemplo o que está neste post, facilmente se compreende que há aí marosca na versão de Rufino.

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  6. "A citação de Origenes apresentada pelo apologista católico não é autêntica.

    É tirada da tradução de Rufino das obras de Origenes que está cheia de cortes, interpolações e adições. De modo que não é confiável."

    Rapaz como é isso? Quando uma citação patrística favorece a interpretação romana então lá vem eles dizendo que está adulterado...Impressionante!!!!!!E os loucos recortes patrísticos que os protestantes fazem não são adulteração nenhuma...não!!!!?Imagina né?! Meu Deus!!!Cada uma que a gente tem que aguentar.....Tem misericórdia Senhor!!!!

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  7. O primeiro a acusar Rufino de ter adulterado o pensamento de Orígenes nas suas traduções foi Jerónimo. Não sei se o considera protestante.

    E quem faz loucos recortes patristicos são os católicos romanos, como se demonstra amplamente por toda essa internet fora, na tentativa de fazer crer que estes autores cristãos dos primeiros séculos acreditavam nas suas doutrinas espúrias e tardias, com as quais nem sonhavam.

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