quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Que significa “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, lhe serão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos"?


Significa isto que devemos ir confessar os nossos pecados a um sacerdote católico romano para obter a absolvição deles?

Vejamos a passagem no seu contexto mais alargado. No Evangelho de João 20, 19-23 está escrito:

Chegada, pois, a tarde, naquele dia, o primeiro da semana, e estando os discípulos reunidos com as portas cerradas por medo dos judeus, chegou Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco. Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se, pois, os discípulos ao verem o Senhor. Disse-lhes, então, Jesus segunda vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós. E havendo dito isso, assoprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, são-lhes retidos.”

Para determinar o que significa esta passagem, a melhor forma é ver o que entenderam os próprios Apóstolos, iluminados pelo Espírito Santo. No resto do Novo Testamento, não os encontramos ouvindo confissões nem absolvendo pessoas. Nada de Ego te absolvum.

Os vemos, em contrapartida, pregando o Evangelho para o perdão dos pecados de todo aquele que se arrepende e crê em Jesus Cristo. Os pecados destes são remitidos. Os pecados dos que não se arrependem são retidos.

Em outras palavras, a autoridade concedida aos Apóstolos, e de facto a que eles exerceram, foi a de declarar e pronunciar às pessoas que se arrependem que os seus pecados são perdoados, e também de advertir os impenitentes em sentido contrário.

A forma em que se exerce esta autoridade é:

1. Através da pregação do Evangelho, a mensagem da salvação em Cristo. Quem a rejeita permanece no seu pecado, quem a aceita é perdoado.

2. No ministério pastoral. Um servo de Cristo tem autoridade para assegurar a qualquer um que se tenha arrependido que verdadeiramente foi perdoado, e a qualquer um que persiste no seu pecado que se encontra debaixo do justo juízo de Deus.

3. No exercício da disciplina da Igreja, tal como é delineado em Mateus 18. Quem depois de ter sido advertido (1) privadamente; (2) diante de testemunhas; e (3) perante toda a congregação, se obstina no seu pecado, deve ser considerado como pagão e publicano.

3 comentários:

  1. faustinodontgiveup@hotmail.com: o que dizer de Mt 3,6;Lc 3,3;

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  2. Quando me deparei com este versículo fiquei confuso, afinal o que eu ouço desde pequeno na doutrina cristã protestante foi desmentido naquele momento pela própria biblia. Procurei outras passagens que pudessem esclarecer esse texto, mas realmente para compreender essa fala de Cristo é necessario englobar todo o contexto do novo testamento, afinal, em momento algum os apóstolos (ou seguidores de Cristo) agiram de forma a levar este versículo ao "pé da letra". Parabéns pela explicação.

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    Respostas
    1. Uma coisa é o significado da passagem que pode não ser imediatamente claro, outra coisa é a interpretação católica segundo a qual ela se refere à instituição do sacramento da confissão.

      A primeira pode ser objeto de uma discussão mais alargada, a segunda fica desde logo descartada, uma vez que a passagem não fala de nenhum sacramento e não está dirigida aos presbíteros ou bispos.

      Obrigado.

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