sábado, 27 de agosto de 2011

Se foi o concílio de Trento que acrescentou os livros apócrifos à Bíblia por que eles estavam em edições anteriores como a Vulgata de Jerónimo ou o próprio Lutero os incluiu na sua tradução?


Em resumo a situação é esta:

Os livros que os evangélicos chamam apócrifos e os católicos chamam deuterocanónicos são obras geradas durante o período posterior aos últimos profetas inspirados, no denominado período intertestamentário. Em geral não foram  escritos em hebraico, mas em grego (ou seja como for, apenas contamos com o texto grego).

Nunca foram aceites como canónicos pelos hebreus, a quem foi confiada a Palavra de Deus (o Antigo Testamento).

A razão pela qual foram utilizados e apreciados pelos cristãos é que, em número variável segundo os manuscritos, estavam incluídos nos códices da tradução para o grego do Antigo Testamento conhecida como Septuaginta, produzida em Alexandria entre os séculos III e I a.C.

Apesar dos antigos escritores cristãos ocasionalmente os terem usado, em geral predominou a opinião de Jerónimo de considerar como canónicos os livros do AT do cânon hebreu. Os apócrifos/deuterocanónicos foram considerados como úteis para edificação mas não para basear doutrinas neles, num nível portanto inferior aos do cânon hebreu.

Jerónimo os incluiu na sua tradução a contragosto, e para estabelecer a sua posição acrescentou um prólogo em que estabelecia e fundamentava a sua própria posição.

Os apócrifos/deuterocanónicos continuaram pois nos manuscritos tardios da Bíblia, e foram incluídos nas traduções protestantes para línguas vernáculas, como a de Lutero, a Versão Autorizada (King James) e a espanhola Reina-Valera.

A posição protestante histórica é basicamente a mesma de Jerónimo.

O que ocorreu há pouco menos de 500 anos é que um concílio ocidental (o de Trento) se atreveu a fazer algo que a Igreja católica em sentido estrito – isto é, universal – jamais fez, a saber, afirmar dogmaticamente que estes livros tardios eram inspirados e portanto parte integral do Antigo Testamento.

Mediante esta decisão, um número ínfimo de bispos, de modo algum representativos da Igreja universal, pretendeu tornar os apócrifos em parte da regra da fé ou cânon.

9 comentários:

  1. Bom dia! por favor refutem esse artigo católico que está no link: http://caiafarsa.wordpress.com/constantino-fundou-a-igreja-catolica/
    Existem vários artigos lá se quiserem eu posso enviar um por um para que vocês refutem.
    qual o e-mail de vocês?
    Obrigado
    Rafi

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  2. Ouça, os artigos desse site não precisam de ser refutados, eles refutam-se a si mesmo de tão imbecis que são.

    Por exemplo, esse artigo que linkou é tão desonesto, que toda argumentação se baseia numa infantil falácia do autor que onde vê a palavra católica em documentos antigos lê automaticamente católica apostólica romana. Há um pequeno post já sobre isso neste blogue a refutar tal confusão.

    http://conhecereis-a-verdade.blogspot.com/2011/03/o-que-significava-igreja-catolica-no.html

    E pode encontrar muita mais informação neste blogue, que já refuta muitos dos artigos desse site farsante.

    Grato

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  3. Agradeço pelas respostas no outro tópico da sola "scriptura" e também deixei uma pergunta no outro post "sola scriptura princípio bíblico e histórico"

    A maioria dos blogs católicos afirmam que Lutero queria excluir o livro de São Tiago da Bíblia,mas isto NÃO é verdade!Ele tinha preferências por outros livros assim como eu posso ter preferência pelo evangelho do que pelas cartas de João.

    Quero apenas mostrar parte de uma argumentação de um apologista romanista que recebi!
    (continua)

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  4. Desde o séc. IV até o séc. XVI, a Bíblia era a mesma para todos os cristãos. A diferença ocorreu durante a Reforma Protestante, quando Martinho Lutero renegou 7 livros do antigo testamento (Tobias, Judite, 1 Macabeus, 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, trechos de Daniel e Ester) e a carta de Tiago do Novo Testamento.

    Lutero renegou tais livros porque eram fortemente contrários à sua doutrina. Por causa de uma das colunas de sua doutrina a “Sola Fide” ou Somente a fé, Lutero alterou o famoso versículo “Mas o justo viverá da fé” (Rm 1,17) para “Mas o justo viverá somente pela fé”, e renegava a Carta de Tiago, que ensina que somente a fé não basta, é preciso as obras. Devido ao prestígio que a Carta de Tiago tinha, Lutero não obteve sucesso ao excluir tal livro. Quanto ao Antigo Testamento, os protestantes então revolveram ficar com o catálogo definido pelos Judeus da Palestina.

    Este catálogo Judaico foi definido por volta de 100 DC na cidade de Jâmnia, e estes foram os critérios estabelecidos pelos judeus para formarem seu cânon bíblico:

    O livro não poderia ter sido escrito fora do território de Israel;
    O livro teria que ser totalmente redigido em Hebraico;
    O livro teria que ser redigido até o tempo de Esdras (458-428 AC);
    O livro não poderia contradizer a Torah de Moisés (os 5 livros de Moisés).
    Devido à enorme conversão de judeus ao cristianismo, principalmente os judeus de língua grega, é que os judeus que não aceitaram a Cristo, desenvolveram um judaísmo rabínico, isto é, um judaísmo ultra-nacionalista, para frear a conversão das comunidades judaicas ao cristianismo. Com este cânon bíblico, era proibida pelo menos a leitura de todo o Novo Testamento, que mostra fortemente o cumprimento da promessa do Messias na pessoa de Cristo.

    Muitos dos originais hebraicos de alguns livros foram perdidos, existindo somente a versão grega na época da definição do cânon judaico. Isto significa que livros como Eclesiástico e Sabedoria, escritos por Salomão, não foram reconhecidos pelos judeus de Jâmnia, além de outros livros que foram escritos em aramaico durante o domínio caldeu e persa. Recentemente os arqueólogos encontraram em Qruman no Mar Morto, o original hebraico do livro Eclesiástico.

    Estes livros do Antigo Testamento que não foram unânimimente aceitos são chamados técnicamente de deuterocanônicos.

    Os protestantes entram então em grande contradição pois aceitam a autoridade dos Judeus da Palestina para o Antigo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Novo Testamento. Aceitam a autoridade da Igreja Cátólica para o Novo Testamento e não aceitam a mesma autoridade para o Antigo Testamento.

    Os apóstolos em suas pregações utilizavam a versão grega dos livros antigos, note que das 350 citações que o Novo Testamento faz dos livros do Antigo Testamento, 300 também se referem aos livros deuterocanônicos

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  5. Estimado olhar critico

    As caixas de comentários não é suposto serem o balde do lixo onde deposita o esterco que os apologistas romanistas lhe mandam.

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  6. Fique tranquilo,pois não irei mais enviar!

    Pax Christi!

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  7. Os 7 livros do AT que estão na bíblia católica não são apócrifos, se assim fosse não estariam onde estão. Há muitos livros apócrifos, principalmente evangelhos, é só entrar no site e verificar, esses sim, foram considerados apócrifos por não serem inspirados por Deus, mas se alguém os escreveu, provavelmente deu testemunho daquilo que viu e ouviu.

    A bíblia sempre foi uma só até aparecer SR. LUTERO achando que tudo estava errado, segundo ele mesmo, colocou parte do povo contra a própria história escrita há muitos anos, colocou uns contra os outros, causou divisões na igreja ao invés de união, mas mesmo assim teve adéptos. Se hoje os pastores colocam tantas coisas na cabeça do povo evangélico, porque Lutero que tinha estudo não colocaria?

    Vou dizer aqui algo para todo cristão refletir:

    Se livros escritos em grego for apócrifo porque aderir aos 27 livros do Novo Testamento - principalmente os evangelhos?

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  8. Deixa-me na dúvida se escreve isto seriamente ou se quer brincar conosco. Mas para benefício dos incautos que podem confundir ficção com veracidade aqui fica uma breve resposta.

    Os 7 livros que estão no AT das Bíblias católicas, e que não pertencem ao cânon hebraico, foram chamados apócrifos por Jerónimo, o tradutor da Vulgata, e foi assim que ficaram conhecidos historicamente até ao século XVI.

    As Bíblias luteranas e anglicanas também os contêm, o que não significa que os luteranos e os anglicanos considerem estes livros inspirados por Deus. O fato de um livro estar numa edição da Bíblia, por si só, não é garantia da sua inspiração divina.

    Informe-se sobre o que foi o Grande Cisma do Ocidente nos séculos XIV e XV, e de como por mais de meio século na Europa ninguém sabia quem era o verdadeiro papa, nem onde estava a autêntica Igreja de Cristo, chegando mesmo a haver três papas rivais, cada um considerando-se o verdadeiro sucessor de Pedro, e verifique como a Igreja do Ocidente era unida muito tempo antes de aparecer Lutero.

    Quanto à sua última questão não tem nada para refletir a não ser que é um autêntico disparate sem pés nem cabeça.

    Os livros apócrifos não são rejeitados porque foram escritos em grego. Deus podia inspirar livros em qualquer idioma. O problema dos livros apócrifos é tratarem-se de obras tardias sobre as quais nunca houve consenso acerca da sua inspiração, nem sequer da sua lista exata, pelo que até hoje a lista dos deuterocanónicos/apócrifos difere entre as diferentes Igrejas que os aceitam. Os conciliaristas de Trento optaram, sem razão suficiente, por uma opção determinada entre as várias disponíveis.

    Mesmo no próprio século XVI, e muito pouco antes de Trento, eminentes eruditos católicos como Francisco Ximenes de Cisneros e o cardeal Caetano aderiam à opinião de Jerónimo em relação ao cânon do AT, no sentido de considerar canónicos a Hebraica Veritas ou cânon palestino, e o resto em segundo plano, como literatura eclesiástica, edificante.

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    Respostas
    1. Excelente, vc foi muito feliz em sua resposta a essa desavisada e apressada, teólologa católica.

      Uma das maiores virtudes da reforma protestante, foi trazer as escrituras de volta o seio da Igreja, para legislar em questão de fé e prática.

      Os apócrifos, nunca serviu para legislar a Igreja em questão de fé e prática, eles são de um valor histórico importantíssimo, agora, quanto ao seu valor doutrinário não podemos dizer o mesmo.Tenho minhas dúvidas, se antes de Treno, algum teólogo romanista citaram alguma passagem deles, para respaldar uma doutrina.

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