Sexta-feira, 24 de Junho de 2011

O culto a Maria, os dogmas marianos e a tradição apostólica


Na sua erudita obra "Maria na Patrística dos séculos I e II" (Madrid: BAC, 1970, p. 371) o marianíssimo José Antonio de Aldama, S.I., confessa: "Falar de verdadeiro culto a Maria no século II seria anacrónico."

Sobre os dogmas marianos:

1. A primeira defesa da virgindade perpétua é provavelmente o Adversus Helvidium de Jerónimo, escrito em finais do século IV. Foi depois defendida por Leão I. O dogma da virgindade perpétua - antes, durante e depois do parto - foi definido por um sínodo local (III Latrão, 649) sob o papa Martinho I, e ratificado pelo III de Constantinopla, sexto ecuménico (680-681).
Ou seja, nada se ouve acerca da virgindade perpétua antes de finais do século IV.

2. A imaculada conceição é completamente desconhecida para a Igreja antiga. A sua formulação é medieval tardia, e originou controvérsias entre os próprios teólogos escolásticos. De facto, foi proposto como dogma no concílio de Basileia (1439) mas de maneira inválida já que o papa Eugénio IV excomungou os membros do concílio. O primeiro a aceitar esta doutrina foi Sisto IV em 1477, pelo menos de modo indirecto, ao aprovar a festa da Imaculada Conceição da Virgem.
O próprio Concílio de Trento se absteve prudentemente de sancionar o dogma. Não veio a ser tal até 1854, graças a Pio IX.

3. Sobre a Assunção corporal de Maria aos céus, diz o hipermariologista P. Carol: "Não existe nenhum documento do magistério anterior a Pio XII em que se declare oficialmente a assunção corporal da Virgem aos céus."
Não há vestígios no Ocidente da ideia, para não falar do dogma, até finais do século VIII.

Fonte: J.B. Carol (Dir.): Mariología. Madrid: BAC, 1964.


De modo que é óbvio que estes dogmas não surgiram de tradições provenientes dos Apóstolos, das quais falta completamente qualquer testemunho, mas de desvios doutrinais produzidos sobretudo a partir da idade média.

A desculpa da tradição apostólica transmitida oralmente na Igreja não serve. A própria Igreja de Roma até hoje não pôde (ou melhor, não quis) delimitar e enunciar o que arbitrariamente chama "tradição apostólica", que lhe permitiu introduzir doutrinas totalmente desconhecidas pelos Apóstolos.

8 comentários:

  1. Caro Blog Conhecereis a Verdade!

    Alguns sites católicos nos acusam da sermos adeptos da heresia do nestoarianismo!

    O Título Theotokus não é bíblico,portanto,oriundo da tradição pseudoapóstolica,porém eu gostaria de saber o que é a doutrina do nestorianismo e se a acusação leviana levantada amiúde contra os evangélicos procede mesmo!

    Este site "católico",por exemplo, nos acusa de sermos adeptos do nestoarianismo!

    http://www.redemptionis-sacramentum.com/2011/02/maria-mae-de-deus.html

    Eu gostaria apenas de uma explicação sobre o nestoarianismo!

    Obrigado!

    A Paz de Cristo!

    ResponderEliminar
  2. O nestorianismo era a doutrina que ensinava que Maria deu à luz um homem, sobre o qual depois veio repousar o Verbo de Deus. Portanto, Jesus era um mero homem em quem habitava o «Logos», ou o Verbo divino.

    Acusar os evangélicos de serem adeptos da heresia do nestorianismo é uma calúnia, porque a rejeição por parte dos evangélicos da expressão theotokos (“mãe de Deus”, literalmente “paridora de Deus”) aplicada a Maria, não se deve a que rejeitem a divindade de Jesus Cristo e a sua dupla natureza plenamente divina e plenamente humana, que era o que o concílio de Éfeso quando cunhou o termo theotokos pretendia defender, mas aos excessos marianos que se desenvolveram a partir desta expressão.

    ResponderEliminar
  3. Em suma, a argumentação católica se baseia neste sofisma:

    1-Jesus é Deus;
    2-Maria é mãe de Jesus;
    3-Logo,Maria é "Co-redentora e Deusa"(ainda que alguns não admitam que ela têm "status" de DEUSA para negarem suas heresias).

    Um dia desses um amigo me questionou como um ser divino poderia ter sido gerado por um ser humano?

    Ora,se não possuirmos fé para professar que um ser humano possa gerar um ser divino,então como poderemos crêr na Santíssima Trindade?

    Prezado Blogueiro! Eu sugiro um post explicativo sobre as heresias que a Igreja refutou ao longo da História(gnosticismo,nestorianismo,janseísmo...etc),pois os blogs "católicos" nos acusam constantemente de sermos adeptos de tais seitas,por exemplo, em um suposto blog "católico" eu vi esta falácia que engana há muitos! "Sola Fide"=Janseísmo=Protestantismo!

    Que Deus continue te abençoando;

    A Paz de Cristo!

    ResponderEliminar
  4. O facto é que a definição do Concílio de Éfeso foi aceite por todas as Igrejas cristãs históricas como ortodoxa e bíblica.

    O seu propósito primário não era exaltar Maria (embora depois tenha sido usada com esse propósito) mas reafirmar a doutrina bíblica sobre a dupla natureza plenamente divina e plenamente humana de Jesus Cristo.

    Como já disse havia na altura quem ensinava que Maria deu à luz um homem, sobre o qual depois repousou o Verbo de Deus. Contra esta doutrina os bispos de Éfeso sustentaram corretamente que o ser que nasceu de Maria era ao mesmo tempo Deus e homem. Este é o sentido correto da definição, e neste sentido, Maria pode ser chamada theotokos, mãe de Deus ou mais exatamente, "paridora de Deus".

    A exploração que os católicos fazem da expressão theotokos para exaltar indevidamente Maria, colocando o foco, não no que foi parido que era Deus, mas na paridora, trai o sentido da expressão theotokos e a intenção dos bispos conciliares quando a aplicaram a Maria, que era estabelecer uma correta cristologia.

    Por isso apesar de ser tecnicamente correto chamar a Maria "mãe de Deus" ou "paridora de Deus", que é o significado literal da palavra theotokos, não devemos chamá-la assim.

    A julgar pelas suas funestas consequências doutrinais e práticas que a expressão teve, deve evitar-se o seu uso sem uma cuidadosa qualificação para crentes que não sabem suficiente teologia bíblica e histórica. A Bíblia chama normalmente Maria de "a mãe do Senhor" e creio que é o mais apropriado.

    ResponderEliminar
  5. Há qualquer coisa de errado aí na fórmula "Sola Fide"=Janseísmo=Protestantismo!"

    O Jansenismo (Séc. XVII) veio depois do Protestantismo (Séc. XVI), portanto quando muito o Jansenismo é que poderia ser adepto do Protestantismo e não o contrário. :)

    ResponderEliminar
  6. O Prezado blogueiro apologista deve saber que existem duas partes da oração de Maria.A Bíblica e a extra-bíblica,portanto,dispenso de mostra-las aqui!

    Algumas acusações contra nós são gratuitas,falaciosas,descabidas e até indignas de serem refutadas,por exemplo, de que nós temos ojeriza à Maria;de que nós blasfemamos de Maria; de que nós chamamos Maria de Maria de "mulher qualquer"; e isto é algo que NENHUM protestante sério o faz,pois Maria é bem aventurada!Em suma,alguns "pseudoargumentos" e difamações em blogs "católicos" só servem para nos caricaturar e não possuem credibilidade!

    Gostaria apenas de compartilhar uma risível "argumentação católica" que a mim fora apresentada:

    1- Se Maria não pode ser chamada de "mãe de Deus";

    2- Então,Jesus não pode ser chamado de "DEUS;

    3-Logo,nós somos nestorianos por negar a divindade de Cristo.

    Por este "modus interpretandi" apresentado acima,eu tive que questionar aqui sobre o nestorianismo.

    Obrigado pela troca de informações! Que Deus te recompense!

    Pax Christi!

    "Dominus Iesus,misere nobis"!

    ResponderEliminar
  7. Esta citação de São Cirilo na obra "Tu és mãe de Deus" é a mais utilizada pelos católicos para defender o sentido deturpado da expressão "Theotokus"!

    "Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Realmente, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem Santíssima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora não usassem esta expressão. Assim fomos também instruídos pelos Santos Padres. Em particular, Santo Atanásio, nosso pai na fé, de ilustre memória, na terceira parte do livro que escreveu sobre a santa e consubstancial Trindade, dá frequentemente à virgem Santíssima o título de Mãe de Deus."

    Vejo-me obrigado a citar aqui suas palavras, que têm o seguinte teor: “a Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador estas duas coisas: que ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é o Verbo do Pai, seu esplendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da virgem Maria, Mãe de Deus”. (São Cirilo-"Tu és mãe de DEUS)

    ResponderEliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...