sexta-feira, 22 de abril de 2011

A carta de Clemente aos Coríntios: Evidência do primado do bispo de Roma?


Argumento católico:

Pelos anos 90 do primeiro século da nossa era, quando ainda vivia o apóstolo João, surgiu um problema interno de não pequena importância na igreja de Corinto. É de supor que o lógico teria sido que uma vez que ainda viva um dos apóstolos, coubesse a este impor a sua autoridade para solucionar a questão. Mas não foi assim. Quem se encarregou de acabar com o desaguisado foi nem mais nem menos que o bispo de Roma.
 
Se com isto se pretende insinuar que um bispo, por mais "sucessor de Pedro" que se o queira considerar, podia ter uma autoridade superior à dos próprios Apóstolos, o mesmíssimo Clemente se encarrega de contradizer tal coisa:
 
Os Apóstolos nos pregaram o Evangelho da parte do Senhor Jesus Cristo; Jesus Cristo foi enviado de Deus. Em resumo, Cristo da parte de Deus, e os Apóstolos da parte de Cristo: uma e outra coisa, por isso, sucederam ordenadamente por vontade de Deus. Assim, pois, tendo os Apóstolos recebido os mandatos e plenamente assegurados pela ressurreição do Senhor Jesus Cristo e confirmados na fé pela palavra de Deus, saíram, cheios da certeza que lhes infundiu o Espírito Santo, a dar a alegre notícia de que o reino de Deus estava para chegar. E assim, segundo apregoavam por lugares e cidades a boa nova e baptizavam os que obedeciam ao desígnio de Deus, iam estabelecendo os que eram primícias deles – depois de prová-los pelo espírito - por inspectores (episkopous) e ministros (diakonous) dos que haviam de crer. E isto não era novidade, pois já desde há muito tempo se havia escrito acerca de tais inspectores e ministros. A Escritura, com efeito, diz assim em algum lugar: Estabelecerei os inspectores deles na justiça e os seus ministros na fé (Isaías 60:17).
 
Carta Primeira de São Clemente, 42:1-4
Em Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos. Edição bilingue completa, 4ª Ed. Madrid: BAC, 1979

Tendo sido estabelecidos eles mesmos pelos próprios Apóstolos, é impossível que a sua autoridade estivesse acima da de quem lha havia concedido em primeiro lugar. Além disso, cabe sublinhar que Clemente em nenhuma parte ensina ou insinua a existência de um episcopado monárquico (como o faz algo mais tarde, ao invés, Inácio de Antioquia [1]). Pelo contrário, na carta aos coríntios:
 
Mencionam-se presbíteros várias vezes, mas não são distinguidos dos bispos. Não há absolutamente menção de um bispo em Corinto, e as autoridades eclesiásticas são sempre nomeadas no plural.
 
John Chapman, Pope St. Clement I . Em The Catholic Encyclopedia, vol. IV (1908).

Clemente alonga-se mais à frente quanto à forma de eleição e às condições das autoridades da Igreja:

Também os nossos Apóstolos tiveram conhecimento, por inspiração de nosso Senhor Jesus Cristo, que haveria contenda sobre este nome e dignidade do episcopado. Por esse motivo, pois, ..., estabeleceram os supracitados e juntamente impuseram dali em diante a norma de que, morrendo estes, outros que fossem varões aprovados lhes sucedessem no ministério. Agora pois, a varões estabelecidos pelos Apóstolos, ou posteriormente por outros exímios varões com consentimento de toda a Igreja; homens que serviram irrepreensivelmente o rebanho de Cristo com espírito de humildade, pacífica e desinteressadamente; testificados, além disso, durante muito tempo por todos; a tais homens, vos dizemos, não cremos que se os possa expulsar justamente do seu ministério. E é assim que cometeremos um pecado nada pequeno se depomos do seu posto de bispos aqueles que irrepreensível e religiosamente ofereceram os dons. Felizes os anciãos que nos precederam na viagem para a eternidade, os quais tiveram um fim frutuoso e perfeito, pois já não têm que temer que alguém os afaste do lugar que ocupam. Dizemos isto porque vemos que vós removestes do seu ministério alguns que o honraram com conduta santa e irrepreensível.
 
Carta Primeira de São Clemente, 44:1-6
Em Daniel Ruiz Bueno, Padres Apostólicos. Edição bilingue completa, 4ª Ed. Madrid: BAC, 1979 (negrito acrescentado)

Ou seja, a conduta santa e irrepreensível era para Clemente o requisito mais importante para os bispos e ministros. [2]
 
Por que foi então Roma a corrigir os coríntios e não o apóstolo João? Teríamos que perguntar a João. Entretanto, há que notar que um facto inexplicado e se se quiser intrigante dificilmente serve como evidência de alguma coisa. Neste caso particular foi a Igreja de Roma a que se encarregou da correcção. Demonstra isto que era superior a Corinto? No meu entender, não mais do que a carta que Ireneu dirigiu a Vítor demonstra que o bispo das Gálias era superior ao de Roma. Ao não existir uma estrutura acima das igrejas locais, nada impedia que uma Igreja se dirigisse a outra, ou um bispo repreendesse outro. O que demonstra isto? Simplesmente que é pura fantasia ou wishful thinking imaginar-se que a hierarquia que Roma estabeleceu, para o ocidente, na Idade Média, existisse em séculos anteriores.
 
Argumento católico:
 
Apesar de alguns protestantes e ortodoxos tenderem a minimizar a autoridade de Clemente, o certo é que do texto da sua carta se depreende com grande clareza a consciência que o próprio bispo de Roma tinha sobre a sua autoridade à frente da Igreja. Senão vejamos:
 
"Mas se alguns desobedecerem às admoestações que por nosso meio vos dirigiu Ele mesmo, saibam que se farão réus de não pequeno pecado e se expõem a grave perigo" 1 Clemente aos Coríntios (LIX 1)
 
Ou seja, o bispo de Roma intervém directamente nos assuntos internos de outra igreja para impor a sua autoridade que, como se encarrega de reconhecer, lhe vem da parte de Deus.
 
Algumas observações aqui:
 
1. A suposta consciência que Clemente tinha acerca da sua própria autoridade somente pode aparecer com "grande clareza" a quem anacronicamente sustente um poder que Roma reclamou para si mais tarde e que jamais foi reconhecido pelas Igrejas orientais.
 
A este respeito, há que observar que na carta não há o mínimo apelo à autoridade do bispo de Roma como tal.
 
2. Embora não haja dúvida razoável de que Clemente foi o seu autor, há que notar que isto o sabemos por evidência externa, a saber, o testemunho unânime da tradição. De facto, o nome de Clemente não aparece na carta. Isto, desde logo, apresenta um notável contraste com as epístolas de Paulo e de Pedro. A longa epístola é dirigida de "A Igreja de Deus que habita como forasteira em Roma, à Igreja de Deus que habita como forasteira em Corinto: Aos chamados e santificados na vontade de Deus por nosso Senhor Jesus Cristo". Contra o que costumam afirmar os católicos, o cabeçalho não é o de um superior para um subordinado, mas de uma irmã para outra.
 
Isto o reconhecem até aqueles que sustentam tenazmente a doutrina do primado romano, como Johannes Quasten, que escreveu:
 
É inegável que não contém uma afirmação categórica do primado da Sé Romana. O escritor não diz expressamente em nenhuma parte que a sua intervenção ligue e obrigue juridicamente a comunidade cristã de Corinto.
 
Patrología (edição preparada por Ignacio Oñatibia). Madrid: BAC, 1978; 1:56.

De igual modo, Daniel Ruiz Bueno (o.c., p. 118), que como católico também considera a epístola como evidência do suposto primado, afirma categoricamente:
 
E adianto-me a dizer que, por muito que possa investigar-se nela sobre o direito e constituição da Igreja, afirmar que esta carta é uma decisão jurídica em vez de uma homilia, parece-me uma imperdoável falta de penetração no seu espírito, nascida de um excessivo afã apologético.

3. A declaração tão cara aos apologistas católicos, "Mas se alguns desobedecerem às admoestações que por nosso meio vos dirigiu Ele mesmo [Deus], saibam que se farão réus de não pequeno pecado e se expõem a grave perigo", deve ser entendida no seu contexto. O autor não fez nenhum apelo à sua autoridade pessoal; em vez disso, expôs as Escrituras como fontes da sua autoridade e mostrou onde está o erro dos sediciosos de Corinto. E é sobre esta base, e não a de algum primado imaginário, que pode afirmar e com toda a razão, que aqueles que desconhecessem semelhante admoestação, perfeitamente fundamentada, se expunham a grave perigo: não por desobedecer ao "papa", mas por desobedecer a Deus. Clemente fala aqui, em nome da Igreja de Roma, com autoridade profética. Isto fica claro do que se segue à frase citada, que com frequência (como neste caso) se omite transcrever: "Mas nós seremos inocentes deste pecado". Parece que o autor está a pensar nos termos do dito por Deus ao profeta Ezequiel:
 
Quando o justo se desviar da sua justiça para cometer injustiça, eu porei um obstáculo diante dele e morrerá; por não o teres advertido tu, morrerá ele pelo seu pecado e não se lembrará a justiça que tinha praticado, mas do seu sangue eu te pedirei contas. Se pelo contrário advertires o justo para que não peque, e ele não pecar, viverá ele por ter sido advertido, e tu salvarás a tua vida.
 
Ezequiel 3:20-22; cf. 33:1-9
 
Argumento católico:
 
Bom, alguém poderá dizer que uma coisa é que o bispo de Roma pretendesse ter tal autoridade e outra que os coríntios a reconhecessem e aceitassem. Pois temos o testemunho indiscutível de alguém que foi bispo de Corinto várias décadas mais tarde. O seu nome é Dionísio, e escreveu o seguinte a Sotero, que por então era também, bispo de Roma. Na sua carta a Sotero, por volta de 170 Dc, Dionísio lhe diz:
 
"Hoje celebrámos o santo dia do Senhor no qual lemos a vossa carta (a do Papa Sotero) [3] a qual para nossa correcção continuaremos a ler sempre ASSIM COMO A QUE ANTERIORMENTE NOS FOI ESCRITA POR CLEMENTE" (A citação aparece em Eusébio de Cesareia História IV, 23, 11)
 
Ou seja, resulta que na igreja de Corinto, no dia do Senhor, continuava-se a ler a carta do bispo de Roma Clemente quase um século depois de ser escrita, e além disso, lia-se a carta do por então bispo de Roma, Sotero, com a intenção de ser corrigidos por ele.
 
Veja-se que não estamos a falar do papado nos tempos de Constantino, ou do século X ou do XV. Não, estamos a ver qual era a realidade sobre a primazia da sé romana nos séculos I e II da era cristã.
 
O testemunho de Dionísio mostra o efeito benéfico que a epístola teve sobre a Igreja de Corinto, e também o valor do documento, que até onde sei ninguém questionou. Em outras palavras, a epístola foi recebida, lida e conservada pelo seu valor intrínseco, não porque proviesse de um bispo de Roma.
 
Embora segundo Eusébio a carta de Dionísio tenha sido dirigida a Sotero, por então bispo de Roma, leva segundo o mesmo autor o título Aos Romanos (pros Rômaious) e se dirige à comunidade no plural, nomeando o bispo na terceira pessoa (História Eclesiástica IV, 23, 9-10). O responsável da edição da BAC da obra de Eusébio, diz numa nota de rodapé:
 
A carta de Dionísio é, pois, resposta à que tinha recebido dos romanos, escrita sem dúvida «por ministério» de Sotero, como «a primeira» o fora «por ministério de Clemente». O mais provável é que Dionísio diga «primeira», não por relação a uma «segunda de Clemente», mas em relação com a «segunda da Igreja de Roma», isto é, a mesma de que está a falar, escrita «por ministério» de Sotero.
 
Eusébio de Cesareia, História Eclesiástica. Texto, versão espanhola, introdução e notas por Argimiro Velasco Delgado, O.P. Madrid: BAC, 1978, 1:249, nota 198.

Velasco Delgado diz "por ministério de" porque, à diferença da tradução oferecida acima, "como a que anteriormente nos foi escrita por Clemente", traduz mais correctamente "como a primeira que nos foi escrita por meio de Clemente" (hôs kai tên proteran êmin dia Klêmentos grafeisan).
 
Da forma como o argumento católico é exposto poderia inferir-se que somente a Igreja de Roma – ou os seus bispos - escreviam a outras comunidades para exortá-las, alentá-las ou admoestá-las. Mas tal inferência seria completamente errónea.
 
Por exemplo, precisamente do mesmo bispo de Corinto, Dionísio, cujo testemunho se invoca aqui, diz Eusébio:

... de suas actividades divinas fazia participantes abundantemente não apenas os que estavam sujeitos a ele, mas também os de outros países, fazendo-se utilíssimo a todos com as suas cartas católicas que compunha para as igrejas.
 
Eusébio, o.c., IV, 23, 1 (depois menciona muitas delas, incluída a dirigida aos romanos)

Igualmente temos as epístolas escritas por Inácio de Antioquia a caminho do seu martírio. E, claro, existe também a carta de Policarpo aos Filipenses, da qual diz Quasten (o.c., 1:89), "É uma exortação moral comparável à Primeira Epístola aos Coríntios de São Clemente".
 
Em outras palavras, que muitos bispos ou comunidades se vissem impulsionadas a escrever a outros não era nada estranho nem requeria nenhuma autoridade extraordinária para lá da que dava o bom testemunho e o conhecimento das Escrituras. [4]
 
Um autor católico observa a este respeito:

Mesmo quando o bispo tem na sua igreja o seu próprio campo de acção, isso, no entanto, não o dispensa de toda a responsabilidade em relação à Igreja universal. Não é somente o sentimento de uma mera solidariedade com os fiéis de outras comunidades o que impulsiona bispos como Inácio e Policarpo a dirigir-lhes as suas palavras de alento ou admoestação, mas obram assim porque movidos de um dever claramente sentido. No entanto, não pode citar-se nenhum bispo da época pós-apostólica que intervenha na situação de outras igrejas com a mesma autoridade que na sua própria ou dê instruções à Igreja universal. O próprio Clemente Romano passa muito para segundo plano atrás da Igreja de Roma como tal, para que, com base na sua carta à igreja de Corinto, se lhe possa atribuir um direito consciente de correcção, sustentado por autoridade especial, no sentido, por exemplo, da ideia do primado.
 
Karl Baus, De la Iglesia primitiva a los comienzos de la gran Iglesia. Em Hubert Jedin (Dir.), Manual de historia de la Iglesia. Versão de D. Ruiz Bueno. Barcelona: Herder, 1980; 1:240-241 (negrito acrescentado).

Com base nos factos, reafirmo pois o que já disse em "Supremacia papal nos escritos ante-nicenos?":
 
Pode-se ler a carta de cima abaixo, detalhadamente, e não se achará vestígios de nenhuma consciência de supremacia; simplesmente, o desejo fervoroso de um santo bispo de que se restabelecesse a paz na turbulenta igreja coríntia. Clemente ensina, admoesta, exorta; o que nunca faz é ordenar nem apelar à sua investidura como argumento.
 
Notas
 
[1] O episcopado monárquico não aparece em nenhum lado nos 65 capítulos de 1 Clemente, um facto indiscutível e cuidadosamente notado pelos eruditos católicos. Quando esta realidade se confronta com os ensinos de Inácio (m. 107) que supõem um episcopado monárquico, parece o mais razoável concluir que existia heterogeneidade na organização eclesiástica da Igreja primitiva. Com o tempo (já na segunda metade do século II) prevaleceu a organização reflectida nas cartas de Inácio e não a pressuposta em I Clemente. Esta conclusão, desde logo, não fortalece a hipótese de um primado de autoridade jurisdicional e doutrinal da Igreja de Roma no século I.
 
[2] A Igreja de Roma ensina que o papa não perde a sua autoridade por ser simoníaco, nepotista ou moralmente dissoluto. Nisto se vê que não "obedecem" a Clemente.
 
[3] Quando fala da "vossa carta" indica, a dos Romanos, escrita por meio do seu bispo Sotero. É um agradecimento à comunidade de Roma no seu conjunto, não ao seu bispo em particular.
 
[4] Por que interveio então a Igreja de Roma e não a de Éfeso ou a de Tessalónica ou qualquer das igrejas muito mais próximas de Corinto que Roma?
 
Ao carecer a Igreja primitiva da organização hierárquica que mais tarde se impôs (para não falar da hierarquia romana medieval), não estavam delimitadas as jurisdições, de modo que de uma maneira sã e evangélica, uma igreja podia exortar outra sem violar a inexistente lei canónica. Não havia nada que o impedisse.
 
Além disso, se o bispo de Roma tivesse tido numa época tão primitiva pretensões de papa universal, não resultaria fácil explicar por que razão, sendo as seitas gnósticas iniciadas na mesmíssima Roma por Valentim e por Cerdão (antecessor de Marcião) não foram postos no seu lugar pelos próprios bispos locais (Higino, Pio e Aniceto) mas por outros como Ireneu, bispo de Lyon, e Justino, que não era bispo (Eusébio, História Eclesiástica IV, 11).

6 comentários:

  1. Graça e Paz, meus queridos irmãos.

    Eu disse que a coisa iria ficar pesada por aqui.

    Bem, visitando os sites católicos, eu encontrei o que pode ser o indício de provável participação do site Veritatis Splendor.

    Primeiro ataque do site católico.

    "E o autor do artigo, diz que eles estavam falando num sentido espiritual... É o que eu chamo de leitura com viseira de burro. Os textos sobre oPapado são ainda mais tristes..."


    http://www.veritatis.com.br/inicio/espaco-do-leitor/1476-leitor-pede-que-refutemos-artigos-protestantes-contra-o-testemunho-dos-pais-da-igreja

    Contudo, diante dos primeiros sinais de fumaça, eu gostaria de destacar as palavras do católico que enviou o pedido de resposta ao site, ei -las:

    "Sei que a verdade permanece em nós e ficará eternamente conosco (II Jo 2), mas esses textos apologéticos protestantes me deram uma leve "enxaqueca"."

    Amados, eu creio que brevemente poderemos postar testemunhos de conversões de católicos e ex - protestantes (enganados pelos falsos argumentos católicos).

    Shalom.

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  2. Ao católico que escreveu para o site veritatis esplendor, se passar novamente por aqui quero lhe desejar as melhoras, espero que as enxaquecas já tenham passado.

    Quanto ao Sr. Alessandro Lima, atendendo às aldrabices que escreve, não lhe reconheço nenhuma autoridade para dar lições de seriedade nem a mim nem a ninguém.

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  3. A enxaqueca continua depois dessa "refutação"....(rsrsrsrs)

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  4. Tenho lido com muito interesse os textos deste site, contente por encontrar fundamentação, profundidade,coerência e respeito. Embora confesso claramente que a leitura destes textos tem por efeito aprofundar mais minhas convicções católicas, tenho muito alegria por apoiar as pessoas que vão às fontes originais e estudam incansavelmente.
    Reginaldo Pereira

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  5. Tenho acompanhado com muito interesse os textos e estudos divulgados neste site e,embora confesse que sua leitura tenha fortalecido ainda minhas convicções na tradição católica, me alegro com o contante esforço em buscar sem medo ou desrespeito nas fontes originais o conhecimento da verdade.

    Reginaldo Pereira

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  6. A BÍBLIA E A HISTÓRIA FORNECEM EVIDÊNCIA DEFINITIVA DA NATUREZA VÁCUA E ESPÚRIA DAS PRETENSÕES ROMANISTAS

    «Para começar, na verdade, não havia 'papa', nem bispo como tal, pois a igreja em Roma foi lenta a desenvolver o cargo de presbítero ou bispo chefe... Clemente não fez nenhuma reivindicação de escrever como bispo... Não há nenhuma maneira de definir uma data em que o cargo de bispo dirigente surgiu em Roma... mas o processo estava certamente completo pelo tempo de Aniceto, em meados dos anos 150» (Duffy, Eamon. Saints & Sinners: A History of the Popes, 2nd ed. Yale University Press, London, 2001, pp. 9, 10,13).

    «É certo que a posição católica, que os bispos são os sucessores dos apóstolos por instituição divina, está longe de ser fácil de estabelecer... O primeiro problema tem a ver com a noção de que Cristo ordenou apóstolos como bispos... Os apóstolos eram missionários e fundadores de igrejas; não há nenhuma evidência, nem é de todo provável, de que qualquer um deles alguma vez tenha fixado residência permanente numa igreja em particular como seu bispo... A carta dos Romanos aos Coríntios, conhecida como I Clemente, que data de cerca do ano 96, fornece boas evidências de que cerca de 30 anos após a morte de São Paulo a igreja de Corinto estava sendo liderada por um grupo de presbíteros, sem indicação de um bispo com autoridade sobre toda a igreja local... A maioria dos académicos são da opinião de que a igreja de Roma, muito provavelmente também era liderada nesse tempo por um grupo de presbíteros... Existe um amplo consenso entre os académicos, incluindo muitos católicos, que tais igrejas como Alexandria, Filipos, Corinto e Roma, muito provavelmente, continuaram a ser lideradas por algum tempo por um colégio de presbíteros, e que só no segundo século a estrutura tríplice tornou-se a regra geral, com um bispo, assistido por presbíteros, presidindo a cada igreja local» (Sullivan F.A. From Apostles to Bishops: the development of the episcopacy in the early church. Newman Press, Mahwah (NJ), 2001, pp. 13,14,15).

    «No passado, escritores Católicos interpretaram esta intervenção como um exercício inicial da primazia Romana, mas agora é geralmente reconhecida como o tipo de exortação que uma igreja podia endereçar a outra, sem qualquer pretensão de autoridade sobre ela ... I Clemente certamente não apoia a teoria de que antes dos apóstolos morreram, eles designaram um homem como bispo em cada uma das igrejas que eles fundaram. Esta carta testemunha sim o fato de que, na última década do primeiro século, o ministério colegial de um grupo de presbíteros ... era ainda mantido na igreja Paulina de Corinto. Este era muito provavelmente também o caso na igreja em Roma neste período» (Sullivan F.A. From Apostles to Bishops: the development of the episcopacy in the early church. Newman Press, Mahwah (NJ), 2001, pp. 91,101).

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