quinta-feira, 17 de março de 2011

O rosário e a sua proporção de 1:1:10 para o Pai-nosso, o Glória, e o Ave-Maria reflecte a verdadeira atitude romanista


Não é claro desde quando se usa o Rosário, que ao que parece foi invenção dos monges medievais. Uma tradição documentada desde o século XV diz que foi dado pela Bem-aventurada Maria a São Domingos para auxiliá-lo na sua cruzada contra os albigenses, de infausta memória, em 1214.

Luís Maria Grignion de Montfort [1] explica que esta prodigiosa oração foi revelada em 1214 (pobres os cristãos dos doze primeiros séculos que tiveram que se virar sem esta maravilha) [2] quando São Domingos se encontrava empenhado na cruzada contra os albigenses. A coisa não andava, de maneira que Domingos foi a um bosque de Tolosa orar e jejuar, "de sorte que caiu meio morto. A Santíssima Virgem lhe apareceu - acompanhada de três princesas do céu - e lhe disse: «Sabes, meu querido filho Domingos, de que arma se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo?» «Oh! Senhora - respondeu ele - Vós o sabeis melhor que eu, porque, depois de vosso Filho Jesus Cristo, fostes o principal instrumento de nossa salvação». Ela acrescentou: «Sabe que a arma principal foi o Saltério angélico, que é o fundamento do Novo Testamento; pelo que, se quiseres ganhar para Deus esses corações endurecidos, prega o meu saltério». 

Na realidade, o rosário não serviu o propósito imediato para o qual foi supostamente dado, já que Domingos fracassou e os albigenses ou cátaros tiveram que ser massacrados com notável crueldade por Simão de Montfort numa sangrenta campanha que terminou em 1218.

Na meditação de cada mistério se reza um (1) Pai-nosso, a seguir dez (10) Ave-marias, e termina-se com um (1) Glória.

Assim, por cada oração dirigida ao Pai e por cada oração dirigida à Trindade, há dez dirigidas a Maria.

Num rosário completo (os quinze mistérios) dizem-se portanto cento e cinquenta Ave-marias, como o número dos Salmos, e só quinze Pai-nossos e quinze Glórias.

O rosário reflecte a atitude prevalente na maioria dos católicos: na prática se dedica muito mais tempo à Bem-aventurada Maria que a Deus Pai, Filho e Espírito Santo. 

De facto, o mistério glorioso com que termina o rosário, a cereja no topo do bolo por assim dizê-lo, é segundo Luís Maria Grignion de Montfort dedicado a Maria: "a sua Coroação (como Rainha e Senhora de toda a criação)".

Notas

[1]  Este santo da Igreja Católica tem "pérolas" como esta. No capítulo 20, "Breve explicação do Ave-Maria", exorta os seus leitores como se segue: 

"Estais na miséria do pecado?
Invocai a divina Maria ... E Ela vos livrará do mal dos vossos pecados.
Estais nas trevas da ignorância ou do erro? 

Vinde a Maria e dizei-lhe Ave Maria ... e Ela vos fará participar das suas luzes. 
Vos desviastes do caminho do céu? 
Invocai Maria ... e Ela vos conduzirá ao porto da salvação eterna".

... e continua com outras afirmações tão bíblicas como estas.

(San Luis María Grignion de Montfort: El secreto admirable del santísimo Rosario para convertirse y salvarse. Buenos Aires: Iction, 1980, p. 32, 97-98)



[2] O rosário não se rezava antes do século XIII, e mesmo nessa altura o Ave-Maria não incluía o rogo pelos pecadores que só veio a ser adicionado no século XVI.

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